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Obrigado, Guto Ferreira

Parecia apenas mais uma viagem tranquila para a disputa da 9° rodada do Campeonato Brasileiro 2016. Com a bola rolando, pudemos ver nossa Chapecoense novamente honrando Santa Catarina, derrubando um adversário que no ano ainda estava invicto em sua casa. A vitória deu novo ânimo para a sequência da competição, trouxe sorrisos nos rostos de seus torcedores apaixonados.



Eis que, após o apito final do árbitro, toda alegria vira desespero, vira angustia. Isso por que no sábado, lá mesmo em Salvador, uma derrota do Bahia para o Londrina na Série B custou o emprego do técnico da equipe, Doriva. Campeão estadual e com a ótima campanha no Brasileirão, Guto Ferreira ganhou destaque nacional e foi procurado por dirigentes da equipe baiana. Na mesa, uma proposta irrecusável, praticamente o dobro do que ganha atualmente no Verdão para o treinador e sua comissão técnica.

A segunda-feira em Chapecó teve ares de tensão. Guto Ferreira é unanimidade, ganhou o carinho e o respeito de direção, imprensa e principalmente da torcida. Junto com a Chape, quebrou barreiras e desbravou a América, comandou uma virada heroica e conquistou seu primeiro título na carreira. Mas, mais do que isso, trouxe o espírito de Chapecoense de volta, uma equipe com forte marcação, sem nunca desistir de nenhuma jogada, com garra e raça, o coração na ponta da chuteira.

A missão do "Gordiola", como foi carinhosamente apelidado, não era nenhum pouco fácil, já que ele tinha que recuperar uma equipe desacreditada, deixada por um dos piores treinadores que já passaram pelo clube. Vinícius Eutrópio conseguiu deixar o ódio no torcedor Chapecoense. Guto, até então esquecido do futebol, ganhou a confiança da diretoria, chegando com a desconfiança, principalmente por seu trabalho em 2014 no Figueirense.

Em sua estreia, mesmo sem nem ao menos treinar, pegou a “bucha” e comandou a equipe contra o São Paulo no Morumbi, o empate em 0x0 foi muito comemorado. Na sequência duas derrotas, a primeira em casa para o Cruzeiro e a segunda em Recife para o Sport. Na volta de Pernambuco, um aeroporto lotado, todos imaginavam vaias, criticas, mas não. Guto Ferreira ainda não conhecia a torcida Chapecoense. Gritos de apoio e incentivo deram animo para o clube. Foi ai que o elenco pegou no tranco e iniciou uma campanha de muito orgulho.

Em 2016, Guto disse “sim” a diretoria e ao torcedor, permanecendo no comando do Verdão. Porém, deveria haver uma cláusula no contrato dizendo que, caso houvesse proposta de outros clubes e fosse aceita pelo treinador, não teria multa contratual. O departamento de futebol sem pensar aceitou, e garantiu a permanecia não só do técnico, mas sim de boa parte do elenco. O resultado? Uma campanha impecável no turno e o título Catarinense.

Para o Brasileirão, ficou a preocupação com perdas dos destaques da equipe para outros clubes. O alívio veio só depois da sétima partida, isso por que após sete jogos o jogador não pode se transferir para outro time da Série A. Infelizmente essa regra não vale em nenhum momento para os treinadores.

Guto Ferreira balançou ao receber a proposta do Bahia. Teve de fazer uma escolha difícil, as opções eram receber o dobro do que ganha atualmente em um clube da Série B ou ficar na Chapecoense e na elite do futebol nacional, com uma equipe que ele tem na mão e o principal: o carinho do torcedor.

Mas, como sabemos, o futebol atual não é movido pela paixão. O que realmente faz sentido é o dinheiro, essa moeda maldita que “traz” felicidade. Não vão existir outros Rogério Ceni, Marcos, Pelé, Zico e um dos exemplos dentro da Chapecoense como Nivaldo, há 10 anos no clube e a dois jogos para completar 300 com a camisa do Verdão.

O futebol virou cenário de negócios, em que empresários usam jogadores para enriquecer. Outros exemplos são os Chineses, que esquartejaram o elenco Corintiano campeão Brasileiro de 2015. Os principais destaques deixaram a visibilidade de lado e foram encher os bolsos na Ásia.

Chegou ao fim de uma história vitoriosa. Guto deixando o carinho do torcedor e seu nome gravado na história do Verdão, juntando-se a Edgar Ferreira (comandante do primeiro título estadual), Joel Carlos Flores (comandante do bicampeonato), Agenor Piccinin (tricampeão 2007), Mauro Ovelha (vice-campeão 2009 e tetracampeão 2011) e Gilmar Dal Pozzo (comandante dos acessos para as Séries B e A).

Podia muito bem vir usar este espaço para chamá-lo de mercenário, mas é impossível citar Guto Ferreira e não lhe respeitar. Um profissional excepcional, uma pessoa magnífica, nunca negou uma conversa com o torcedor. Se hoje ele deixa a equipe é porque seu trabalho vem sendo valorizado e a Chapecoense novamente faz ótima campanha em uma competição nacional.

Muito obrigado por ter nos dado inúmeras alegrias, obrigado por humilhar o Palmeiras em Chapecó, obrigado por virar uma partida dada a todos como perdida em Porto Alegre. Como não agradecer por me fazer chorar feito criança na classificação nos pênaltis diante do Libertad na Sul-Americana, e me fazer viver uma noite inesquecível ao enfrentar nas quartas de final o campeão da Libertadores e uma das principais equipes da América do Sul, batemos na trave, mas fica a experiência e uma linda história.

O “adeus” é uma palavra que machuca, ainda mais quando uma pessoa marcou seu nome de forma positiva em uma cidade apaixonada por futebol. Diferente de outros treinadores, você sai pela porta da frente, que estará sempre aberta no futuro para seu retorno. Quero te desejar sucesso em sua nova etapa, continue crescendo no cenário nacional, pois diferente de tantos outros no futebol, você é um profissional de grande caráter. Já que a palavra adeus é dolorida, quero finalizar com um até breve e muito obrigado, “Gordiola”.

Marcelo Weber || @acfmarcelo

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