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Metonímia do ano, com cheiro de final feliz


(Portal Ig: Jornal O Dia)

Flamengo. Final de torneio sul-americano. Contra time argentino. Sem resultado desanimador no primeiro jogo. Podendo decidir no Maracanã.

Como eu sonhei com esse momento.

Está certo que o caminho foi pra lá de sinuoso. O torcedor tem agora todo o direito de viver isso tudo intensamente. Sem, é claro, esquecer o ano tenebroso pelo qual passamos, qualificado assim por variados motivos. Semana que vem temos decisão no Maracanã, com totais chances de vitória. Tudo em aberto.

Porém, o jogo de hoje foi tenso. Apreensivo no início, no meio e no fim. Parecia um retrato do Flamengo no ano. Metonímia do nosso ano. A parte como um todo (Pelo menos é essa explicação que lembro do meu professor de português. Me desculpe se estiver errado). 2017 e o primeiro jogo da final. Começou excelente, tomou pancadas fortes, passou por desesperos e terminou com anseios de possível felicidade no fim.

Isso se vê em tudo, até mesmo nas atuações individuais dos jogadores. Ainda que não seja comum, vale a pena pra reflexão uma pequena avaliação dos jogadores. (Fim do texto, no *)

E como no ano todo, fomos um time que atacava nas potencialidades individuais. Nunca fomos uma equipe coesa e sofremos o jogo todo de nossos maiores defeitos crônicos presentes desde o time de Zé Ricardo. A Avenida Trauco pela esquerda e a enorme dificuldade com as transições, tanto pra ir quanto pra voltar. No primeiro tempo, não era a defesa que estava mal mas o meio que não conseguia sair da frente da área, fazendo a defesa trabalhar o tempo todo. A ausência de Éverton fez enorme diferença pra isso.

Mas há, meus amigos, coisas sobre as quais comemorar. A bola aérea do Flamengo mostrou-se de novo uma arma poderosíssima, tanto em Réver como em Juan. Conseguimos sustentar relativamente bem uma grande pressão em campo e do que vinha de fora. Avançamos e poderíamos, com um pouco mais de sorte, ter empatado a peleja já na Argentina. Fora o fato de que Vinícius Junior se mostrou um menino que não amarela nem fora de casa. Isso tudo, levando-se em consideração o fato de que era um Flamengo de mais de 20.000 km percorridos em uma semana e com 30 jogos a mais que o adversário neste ano que ficou em Avellaneda descansando e treinando a semana toda.

Dito isso, é bom lembrar também que o Independiente hoje se mostrou um time digno do Flamengo de Zé Ricardo. Jogou pelos lados o tempo todo, coeso como equipe, mas foi um time bastante arame liso. Fora as jogadas dos dois gols, os diabos de Avellaneda só obrigaram César a fazer uma defesa. Passaram o jogo girando a bola na frente da área, forçando a jogada em Trauco e chances reais foram poucas. Fora a apequenada no fim do jogo. Confesso, e acho que não fui o único, que após o segundo gol esperava-os ensandecidos para fazer o terceiro. Me surpreendi com a postura na defensiva, com medo de tomar um gol em um possível contra-ataque. No fim, comemoraram um bom resultado mas que poderia ter sido muito melhor.

Fica prometido então para semana que vem o grande dia. Dia 13, dia do aniversário de 36 anos do mundial de clubes, no Maracanã. Vimos hoje que temos pela frente um adversário forte, mas nenhum bicho papão. Com jogadores melhores, com gana e no Maracanã temos tudo para levar uma taça sul-americana para o salão nobre da gávea. Quem sabe com um placar idêntico ao de três decádas atrás.

A não ser que os deuses não queiram. Mas eles hão de querer.

No mais,

Saudações Rubro-Negras e rumo a Tóquio, como sempre.





*AVALIAÇÕES RÁPIDAS

César: Quase não apareceu. Assim como no ano todo.

Pará: Sério sempre. Alguns lampejos de bons lances (lençol no meio campo), mas com erro decisivo na marcação do lance do segundo gol.

Réver: Que capitão. Seguro atrás e um monstro na frente. Sérgio Ramos brasileiro, porém com menos cartões e mais caráter.

Juan: De terno, com desarmes que causam orgasmos futebolísticos. Discreto mas cirúrgico.

Trauco: Decisivo na frente com cruzamento pra Réver, uma avenida atrás. Desesperador. Passou mal no primeiro tempo.

Cuellar: Em todos os lugares no meio de campo, reinando na saída de bola. Seriedade. Errou apenas um passe o jogo todo. Mas, ao contrário do ano todo, deu mole na marcação de Meza no segundo gol.

Arão: Erra lances bobos e acerta lances incríveis. Relapso. Dorme algumas horas. Foi responsável em grande medida por não conseguirmos sair jogando quando pressionados.

Paquetá: Habilidosíssimo. Entrega total.

Diego: Menos do que se esperava para o ano, distribuiu o jogo mas sem passes verticais. Entrega.

Everton Ribeiro: Passou o jogo todo errando tudo e irritando cada flamenguista. Perdeu a bola que gerou primeiro gol. Deu dois passes sensacionais para lances de perigo no segundo tempo.

Vizeu: Como no ano todo, sem intimidade nenhuma com a bola fora da área.

Everton: Que diferença faz em campo. Ponto de equilíbrio.

Vinicíus Junior: Que beleza é ver esse menino em campo. Ousado, irreverente. Parte pra cima a todo instante.


Esperamos vocês pra jogarmos essa peleja na semana que vem.

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