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Vacilos na defesa, virada e novo revés: Pesadelo de 2015 voltando?

A torcida do Bahia – que não difere muito das outras espalhadas pelo país – é marcada por uma bipolaridade comportamental que chega a ser risível de tão ESCRACHADA. Após a sequência de três triunfos era inevitável a CAÇADA ao líder Vasco e o sentimento era de euforia e satisfação. Hoje, parece que abriram a caixa de PANDORA e todos os males e defeitos do mundo foram direcionados ao time do Bahia – que pelo que leio e escuto da aficionada turba está prestes a repetir o destino trágico da equipe de Sérgio Soares temporada passada e condenada a seguir no purgatório da B. Alguns desesperados temem até o inferno da Série C. Algo de palpável que sustente tal preocupação? Antes da resposta, debruçar-me-ei sobre a derrota que desencadeou essa onda de pessimismo e lamúria.

O Bahia que entrou em campo na GÉLIDA noite de terça-feira no Heriberto Hulse não tinha grandes surpresas: Thiago Ribeiro retornava ao time titular, pois Edigar Junio deve ficar fora por 15 dias e Luisinho não inspira confiança – para dizer o mínimo. Na lateral Moisés voltava à lateral esquerda totalmente recuperado da lesão muscular que o tirou do time por dois jogos. Com os jogadores disponíveis a escalação era a mais coerente e o sistema de jogo o mesmo dos últimos jogos – a repetição proporciona o padrão de jogo.

O embate começou morno, e que poderia ser explicado pela baixa temperatura da noite. Mas era fruto realmente de duas equipes muito bem postadas em campo, defensivamente sólidas. O Criciúma iniciou o jogo com sua característica histórica dentro de casa: Imposição física, jogo aéreo, bola parada, transições pelo alto e muita força nos encaixes individuais, na segunda bola e confronto direto por setor. O Bahia marcava por zona, bloco médio, negava espaços e tentava sai cadenciando o jogo e buscando espaços nas falhas de recomposição dos carvoeiros. Faltava mais intensidade para contragolpear e velocidade nessa transição ofensiva.

Bahia deu um susto na torcida local quando Tinga encontrou Hernane livre de marcação no miolo da zaga, porém o Brocador cabeceou fraco e em cima do goleiro Luiz. Era um ensaio. Em jogada similar a bola foi invertida pro Juninho e encontrou Danilo livre às costas do lateral [novamente pela direita]. Sem marcação o volante/meia/extremo cruzou rasteiro para o artilheiro do Bahia no ano com 14 gols empurrar para as redes no final da primeira etapa. Vantagem para descer aos vestiários com tranquilidade.


A situação estava tranquila para o Bahia, mas era bem incômoda para o time da casa. Roberto Cavalo ciente da necessidade de mudar a dinâmica da partida realizou uma mudunça: Tirou o bom volante prata da casa Barreto – sem função no contexto do jogo – e colocou o promissor meia Juninho, emprestado pelo Palmeiras após se destacar no vice-campeonato Paulista pelo Audax. A diferença na características dos jogadores deu ao Criciúma mais qualidade na saída para o ataque, porém expôs o meio campo do time às investidas tricolores. Tinga poderia ter ampliado a vantagem em grande jogada individual mal concluída. O Bahia seguia controlando o jogo e não corria riscos. Até que Roberto Cavalo resolveu arriscar mais. Trocou o apagado atacante Roberto por Hélio Paraíba – a mudança que alterou o panorama do jogo.

Em uma saída errada de jogo do Bahia, Hélio foi acionado em seu primeiro lance e encontrou Gustavo pelo meio da área. Lucas demorou a fazer a leitura da jogada e permitiu a finalização certeira do atacante. Jogo empatado. Por pouco tempo. No lance seguinte Moisés subiu ao ataque e experimentou um chute rasteiro no gol que o goleiro Luiz aceitou de bom grado. Nova vantagem tricolor faltando meia hora de peleja.

A partida então esquentou de vez. Precisando reagir o Criciúma adiantou suas linha e empurrou o Esquadrão contra seu próprio campo. Para reoxigenar a equipe Doriva trocou Thiago por Luisinho e Cajá por Régis. A ideia era ter jogadores prontos para aproveitar os espaços e contra atacar com qualidade. E poderia ter dado certo pois logo após as mudanças o time encaixou excelente contragolpe que Danilo cruzou na cabeça de Luisinho. Na conclusão a bola chocou-se com o poste. Novamente mais uma grande partida protagonizada pelo tricolor na divisão de acesso à elite.

Sentindo a água bater no pescoço, o Criciúma lançou-se de vez ao ataque: Poderia ter empatado com Ezequiel que isolou a bola de frente para Lomba, mas só conseguiu a igualdade na bola parada, novamente com Gustavo. O atacante subiu sozinho na pequena área. Falhou grave da defesa em um momento de definição da partida.

Restando quinze minutos para o fim do jogo a equipe da casa partiu para o ABAFA. Teve pênalti em bola que pegou no braço de Tinga, mas Lomba INACREDITAVELMENTE voltou a defender uma penalidade pelo Bahia após TRÊS ANOS. No entanto foi um feito inócuo. Outra bola alçada na área, Feijão e Jackson se atrapalharam no corte pelo alto e ela sobrou limpa para o zagueiro Raphael cruzar para o complemento de Hélio Paraíba – o homem que mudou o jogo. Desatenção e falhas bobas determinantes para que o tricolor deixasse escapar pontos importantes e difíceis de conquistar. Não foi a tragédia que pareceu, ainda que o contexto do jogo permita lamentar uma derrota que, espero, seja circunstancial.

Por isso não vejo muito sentido – e claro, essa impressão é baseada na racionalidade da análise do contexto da partida – em associar o que aconteceu ontem no interior de Santa Catarina com as recorrentes ‘amareladas’ do time na temporada de 2015. Sim, a equipe mostrou incapacidade de controlar as vantagens contra Vasco e Criciúma, porém isso tem sido EXCEÇÃO e não regra. Foi a primeira virada que o Bahia sofreu na temporada toda. A defesa, que se comportou muito mal nesses dois jogos, não foi vazada em SEIS das NOVE rodadas iniciais, e mesmo os erros que apareceram nessas ocasiões [falhou na bola parada, erro na bola aérea e pênaltis bobos] têm sido menos frequentes atualmente que eram um ano atrás. Claro, é importantíssimo estar atento para que tais erros não se repitam, porém enxergar similaridade com 2015 – quando tínhamos um elenco notadamente mais limitado e qualidade em posições como ataque e laterais – parece-me mais HISTERIA motivada por componentes emocionais. Válido e compreensível, portanto. Desde que não seja transformado em pressão exacerbada em cima de um time que até agora tem mostrado evolução e mantido um desempenho razoavelmente bom no campeonato mais importante da temporada.

Bahia está IDENTICAMENTE na mesma posição da tabela que 2015. Suficiente para acordar FANTASMAS
NOTAS SOBRE ELA [A DERROTA DE VIRADA]

- Feijão tem sido o principal destaque do time este ano [você leu sobre isso aqui], mas ontem falhou RUDE nos dois últimos gols do Criciúma. No primeiro ficou pregado no chão e no segundo atrapalhou Jackson na tentativa de corte. Ele é um dos responsáveis pela melhora do time na bola aérea defensiva, mas ontem parece ter CONGELADO no frio;

- Um dos principais líderes do elenco e referência técnica do time, Marcelo Lomba não se NOTABILIZA pela capacidade de defender pênaltis – motivo até de CHACOTA pela própria torcida. Ontem defendeu a cobrança de Élvis muito bem, esperando a batida e voando no canto certo. No twitter o preparador de goleiros do Esquadrão, contratado esse ano, comemorou e explicou o trabalho desenvolvido. Pena que o impacto foi reduzido com a derrota;

- Essa equipe do Criciúma mostra-se candidata a uma vaga na Série A 2017. Tem bons destaques [Gustavo, Niltinho, Élvis, Barreto, Marlon] e EMULA as características históricas do clube: Time forte no aspecto físico, boa bola parada, raçudo e forte em casa. Elementos que combinam muito com a Série B;

- Bahia perdeu Feijão e Cajá para o confronto sábado contra o Londrina e possui reservas imediatos prontos para entrar no time: Paulo Roberto e Régis. Isso mostra que o elenco está equilibrado e sendo bem conduzido por Doriva;


- Índice de acertos nas finalizações segue em franca evolução. Se o time comprovar que os erros defensivos contra Criciúma e Vasco são ‘pontos fora da curva’ dá para projetar uma caminhada tranquila até a Série A. Para tanto será necessário se impor contra os próximos adversários [Londrina e Tupi] já que a tabela tem sido ‘ingrata’ até agora, com confrontos contra os times mais tradicionais. É não sair do G-4 até final de novembro.



Fonte estatística: Footstats

ALEX ROLIM - @rolimpato - #BBMP

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