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Guia dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 - Parte 3


Superação, coragem, grandeza, emoção e igualdade, valores que permeiam os Jogos Paraolímpicos. No Rio de Janeiro, de 7 a 18 de setembro, a cidade estará mais colorida com as competições de vários paradesportos e o Linha de Fundo preparou com muito carinho um guia.

Judô Paralímpico

O judô foi o primeiro esporte de origem asiática a ser inserido nas Paraolimpíadas, em Seul, 1988, porém a categoria feminina só estreou em Atenas, 2004. Na modalidade, atletas com alguma deficiência visual disputam as tão sonhadas medalhas de ouro, prata e bronze. O Brasil ganhou suas primeiras medalhas no esporte em Seul e o seu primeiro ouro foi conquistado em Atlanta, 1996, com Antônio Tenório da Silva.

Delegação brasileira no centro de eficiência paraolímpica (2013)
No judô paraolímpico, as disputas são divididas por categorias de peso, da mesma forma que acontece no judô olímpico. A diferença é que, além da divisão por peso, há também uma classificação por grau de deficiência visual. Tanto no masculino, quanto no feminino, são três as classificações e todas começam com a letra B (de Blind, que é “cego” em inglês):
 B1 – Cego total: de nenhuma percepção em ambos os olhos até a percepção de luz com incapacidade de reconhecer o formato de uma mão a qualquer distância ou direção.
B2 – Lutadores que têm a percepção de vultos, com capacidade em reconhecer a forma de uma mão até a acuidade visual de 2/60 ou campo visual inferior a cinco graus. 
B3 – Lutadores conseguem definir imagens. Acuidade visual de 2/60 a 6/60 ou campo visual entre cinco e 20 graus.

Tiro com Arco 

Praticado por atletas com paralisia cerebral, paraplégicos, tetraplégicos, amputados, pessoas com doenças disfuncionais e progressivas e múltiplas deficiências, o tiro com arco Paralímpico é disputado com o mesmo objetivo da disciplina olímpica: acertar flechas num alvo de dez círculos à 70m de distância, com arco recurvo, ou à 50m, com arco composto. 

Tiro com Arco na Paraolimpíadas de Londres
São duas classes de eventos:

Aberto: atletas com deficiência nas pernas e cadeirantes ou com deficiência de equilíbrio, atirando de pé ou sentado em um pequeno banco


W1: os atletas podem ter deficiência nas pernas e fazer uso de uma cadeira de rodas 




Tiro Esportivo

O tiro esportivo estreou nos Jogos Paraolímpicos em Toronto, 1976, estando presente no programa dos Jogos desde então. A competição conta com 12 eventos – três masculinos, três femininos e seis mistos.

Atletas com diferentes tipos de deficiência podem competir juntos em três classes:

sH1 pistol : atletas com deficiência nos membros inferiores e/ou braço não usado para atirar
sH1 rifle : atletas com deficiência nos membros inferiores
sH2 rifle : atletas com deficiência nos membros superiores e que precisam de suporte para a arma, pois não conseguem segurá-la com os braços

Atletas do Tiro Esportivo em Londres, 2012
Existem equipamentos de apoio, como mesas e cadeiras de tiro, além de suportes para as armas. Como na disputa do tiro convencional, as regras variam de acordo com a prova, a distância, o tipo do alvo, a posição de tiro, o número de disparos e o tempo para atirar. 

O alvo tem dez circunferências, com pontuação diferente e o círculo do meio, o menor de todos, vale dez pontos. Os oito melhores atletas da qualificação avançam para a final, sendo campeão aquele que atingir a maior pontuação entre os finalistas. 


Tênis de cadeira de rodas

O tênis de cadeira de rodas nasceu nos Estados Unidos e não demorou muito para que se espalhasse por todo o país e, posteriormente, o mundo. O esporte foi aos Jogos de Seul, 1988, como exibição e em Barcelona, 1992 foi oficializado como modalidade paraolímpica.

Diferente da maioria dos esportes, o tênis de cadeira de rodas não tem várias classificações. Para competir, o atleta deve ter uma perda funcional de alguma parte nas extremidades do seu corpo. Ou seja, atletas com tipos de deficiência diferentes podem competir juntos.

O tênis de cadeira de rodas é muito próximo do convencional. Existem disputas individuais e de duplas, as raquetes e as bolas são as mesmas. A diferença é que na modalidade paraolímpica, a bola pode quicar na quadra duas vezes antes do atleta rebater.

O Brasil ainda não conquistou medalhas neste esporte, mas esse ano tem grandes chances de garantir sua primeira com Natália Mayara, que ganhou dois ouros no Parapan -Americano de Toronto, 2015, um na categoria individual e outro em dupla.

Esgrima


Foto: Rio 2016
Uma das modalidades mais tradicionais dos Jogos Paralímpicos, nasceu na Alemanha e já é disputada desde a década de 50. O esporte é "filho" de Ludwig Guttmann, nada menos que o fundador do movimento paralímpico e é presença garantida desde a primeira edição dos Jogos Paralímpicos, em Roma, 1960.

Nas competições, as cadeiras de rodas ficam fixas no chão e qualquer movimento delas, interrompe o combate. Assim como na convencional, há duelos de florete, espada e sabre. Os combates da primeira rodada duram três minutos ou até que um dos esgrimistas marque cinco pontos. Nas rodadas que sucedem, são três rounds com três minutos cada, ou até que um competidor conseguia marcar 15 pontos. Por equipes, a meta é 45 pontos ou conseguir o maior número de pontos dentro do tempo regulamentar.

Classificação:

Classe 1A- Atletas sem equilíbrio sentado, com deficiência no braço armado e sem extensão eficiente do cotovelo. Além de não ter função residual da mão suficiente para segurar a arma.
Classe 1B- Assim como na 1A, só se diferencia por nessa classe, o atleta deter extensão funcional do cotovelo, entretanto sem flexão dos dedos.
Classe 2- Atletas com total equilíbrio sentado, com braço armado funcional. Paraplegia do tipo T1/T9 ou tetraplegia incompleta com sequelas mínimas no braço armado e que não comprometa seu equilíbrio sentado.
Classe 3- Atletas que tenham equilíbrio sentado e sem suporte de pernas, com braço armado sem deficiência. Pequenos resquícios de amputação abaixo do joelho ou lesões incompletas abaixo da D10 ou deficiências comparáveis que mantenham o equilíbrio sentado.
Classe 4- Atletas com equilíbrio sentado, com suporte das extremidades superiores e braço armado funcional, como lesões abaixo da C4 ou deficiências comparáveis.
Limitações mínimas- Deficiência dos membros inferiores comparável a amputações abaixo do joelho.

O Brasil garantiu sua primeira medalha na modalidade na última Paraolimpíada, em Londres, 2012. Jovane Guissone garantiu o ouro na categoria B, quatro anos após começar a praticar o esporte.


Foto: mascoche.net
Ciclismo

O ciclismo paraolímpico tem uma história grande. Na década de 1980, era praticado apenas pelos deficientes visuais, somente nos Jogos Paralímpicos de Nova Iorque, 1984, que pessoas com paralisia cerebral e amputados começaram a participar da modalidade. Quatro anos depois, em Seul, a prova de estrada virou olímpica, porém só em 1996 que houve a criação de categorias, buscando tornar as disputas mais equilibradas. O velódromo passou a fazer parte da programação neste ano e, em 2000, apareceu o handcycling, pela primeira vez.

As bicicletas convencionais ou os triciclos podem ser utilizados por atletas com paralisia cerebral, dependendo do grau de lesão de cada um. Os deficientes visuais usam a tandem, uma bicicleta dupla, onde são guiados por outro atleta que fica na frente. Já os cadeirantes  usam a handcycling, que é movida pelas mãos. Entenda a classificação:

LC: Locomotor Cycling (atletas que tem dificuldades para se locomover)
LC1- Atletas com pequena deficiência, quase sempre nos membros superiores.
LC2- Atletas com deficiência em uma das pernas, com uso de prótese permitida.
LC3- Atletas sem prótese que pedalam com somente uma das pernas. 
LC4- Atletas com grau de deficiência elevado, geralmente com amputação em um dos membro.

Tandem: ciclistas com deficiência visual.
Handbike: atletas paraplégicos.

Ciclismo de pista

O velódromo tem uma pista oval onde são feitas três provas diferentes, a de velocidade, a contrarrelógio e a de perseguição.

-Velocidade por equipes: É disputada por uma equipe feita de 3 ciclistas, que pedalam um atrás do outro. Cada atleta lidera uma volta e após terminá-la, se retira, para que outro lidere. Essa prova é disputada em três voltas.

- Contrarrelógio: Cada atleta percorre sozinho a distância estipulada, que pode variar entre 500m e 1000m. O menor tempo vence a prova.

- Perseguição: Dois atletas largam em lados opostos e percorrem uma distância estipulada, podendo ser de 3km ou 4km, dependendo da categoria. Vence quem alcançar o adversário ou fizer o menor tempo.

Ciclismo de estrada

Atletas de cada categoria largam ao mesmo momento em percursos que podem chegar a 120km.


Tênis de mesa

O tênis de mesa está entre as modalidades mais tradicionais dos Jogos Paraolímpicos, estando presente nas Paraolimpíadas desde a primeira edição, em Roma,1960. Além disso, diferentemente da maioria dos esportes, este tem mais tempo em Jogos do que o "convencional", que virou Olímpico somente em Seul,1988.

Os atletas são divididos em 11 categorias. A classificação é baseada no alcance de movimentos de cada mesatenista, suas restrições, sua força e até mesmo seu equilíbrio na cadeira de rodas. Entenda:

TT1-TT5 – Atletas que competem em cadeiras de rodas.
TT6-TT10 – Atletas com deficiência física que competem de pé.
TT11 – Atletas com deficiência intelectual que competem de pé.

As partidas são disputadas em "games" de onze pontos, para pontuar, basta o adversário tocar na mesa, não alcançar a bola depois dela ter tocado no seu lado da mesa ou lançar a bola para fora da mesa. Os saques para os cadeirantes são diferentes, a bola tem sempre que ultrapassar a linha de fundo do adversário.

O Brasil tem uma única medalha na modalidade, uma prata nos Jogos de Pequim, com a dupla Welder Kraf e Luiz Algacir.

Guia dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 - Parte 2

Artur Pinheiro (@arturpinheirom) e Cássia Gouvea (@_cassiagouvea)

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