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O meu lugar

(Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)
Vitória
s.f.substantivo feminino; do latim victoria 
palavra de sete letras
Ação ou efeito de vencer. Qualquer sucesso, êxito ou vantagem alcançada. Triunfo.
Vitória. Vitória pode ser um nome feminino que carrega sentido de sucesso. Na mitologia romana, Vitória é a deusa que personifica justamente o êxito e foi venerada por muitos anos na Roma Antiga. Em um pedaço do Espírito Santo, Vitória é a capital, dona de tantas grandes partes da cultura brasileira.

Aproximadamente 15km separam a pequena Cariacica da grande Vitória, a capital do Espírito Santo. O local de 279,975 km² faz parte de um pedaço chamado Região Metropolitana, formada por sete municípios. Sim, sete. O último senso do IBGE indicou que 348.933 pessoas habitavam Cariacica. Em 2016, mais de 40 milhões olharam para esse pacato local e, juntos, se encantaram com a magia desse lugarzinho particular.

Cariacica tem nove letras, o que sai totalmente da grande mística do número sete. Porém, há mais em Cariacica do que um número qualquer que se destoa. São sete - olha ele novamente - jogos em 2016. Sete vitórias. Doze gols marcados e apenas quatro sofridos. América Mineiro (este duas vezes), Internacional, Atlético Paranaense, Ponte Preta e Cruzeiro viram a fúria rubro-negra em território capixaba, ou espírito-santense. O Figueirense, coitado, sofreu a virada de um time que, segundo certo jogador, já estava morto e foi eliminado da Sul-Americana em solo sagrado.

Sim, sagrado. O Espírito Santo abençoou um Flamengo que lutou por muito tempo para ter seu solo próspero, seu habitat natural, mas perdeu a batalha para um comitê que pouco sabe de torcedores ou de um fanatismo que não pode ser contido, nem por quilômetros, nem por qualquer tentativa de nos afastar. Cariacica se tornou a casa de milhares de rubro-negros e o Kléber Andrade o território flamenguista, lotado até não caber mais ninguém. E, amigo, ninguém conseguiu parar o Flamengo por lá.

O texto de hoje não é sobre geografia ou religião, por mais que conte com uma grande parcela de fé. Não é sobre soma de letras, números e contas das mais viajadas e maravilhosas possíveis que resultam no número sete. Não é sobre um jogador ou outro que, com a brilhante mente de Zé Ricardo, sai do banco de reservas direto para o fundo da rede. O texto de hoje é sobre aquele lugar que, quando o mundo, destino ou qualquer força louca está ao seu lado, se torna seu porto seguro.

Não escolhi o título desse texto à toa. A frase remete ao consagrado samba de Arlindo Cruz, Madureira, algo bem carioca de um local ainda mais carioca. Esta música foi escolhida por um trecho específico: "O meu lugar é cercado de luta e suor, esperança num mundo melhor e cerveja pra comemorar".


(Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)
Lutamos e lutamos muito. Dentro, fora, em nossas casas, em cada barzinho que tem a tv dividida por várias cabeças aflitas. O suor daqueles que dão o sangue pelo Manto, aquele suor frio quando, aos 30 minutos do segundo tempo, a torcida adversária começa a gritar "olé" em sua casa. A cerveja nem precisa de explicação, é a companheira fiel de arquibancada. E a esperança? Essa está sempre, em cada reza, cada olhar desesperado para o céu, cada pulinho para santos diversos, cada pedido a São Judas Tadeu.

Nosso mundo melhor é aquele que o Flamengo vence sempre, seja no Maracanã, no Kléber Andrade, em São Paulo, no Chile, na lua. É aquele que faz cada um, em tantos cantos desse Brasil, sair gritando por um gol da virada aos 45 minutos do segundo tempo. É aquele que o sofrimento é recompensado pela certeza de que não vamos desistir.

O meu lugar é onde quer que o Flamengo esteja. E a minha felicidade? Ela vem de uma bandeira rubro-negra no lugar mais alto, onde sempre deve estar.

Mariana Sá | @marigarboggini 

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