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Só faltam 90 minutos


Que a final da Copa do Brasil seria uma verdadeira guerra, ninguém duvidava. O que surpreendeu, foi a forma como o Grêmio monopolizou grande parte da partida. Um Grêmio forte, aguerrido e, ao mesmo tempo, técnico. Uma junção do excelente toque de bola implantado por Roger Machado, com a objetividade e consistência defensiva de Renato Portaluppi. O Grêmio não teve uma, mas pelo menos quatro oportunidades claras de marcar. Isso só nos primeiros 45 minutos. Marcou em uma, com Pedro Rocha. O garoto, cara a cara com Victor, teve a frieza de desviar do goleiro. O gol foi um golpe duro para o Atlético. O Tricolor continuou empilhando arremates a gol. O jogo que prometia ser um ataque/Atlético vs defesa/Grêmio, acabou sendo um baile ofensivo tricolor.

O resultado era injusto. Cabia mais. Eis que, aos nove minutos da etapa complementar, Pedro Rocha balançou as redes novamente, após deixar três adversários para trás. O descontrole estava formado. Aparentemente nada estragaria a noite do Tricolor. Foi quando Pedro Rocha levou seu segundo amarelo – o primeiro foi na comemoração do gol, quando tirou a camisa. Aí o jogo mudou.

O Galo cresceu, impulsionado pelos famigerados gritos de “eu acredito!”. Chegou ao gol em bola parada, com o zagueiro Gabriel, um problema recorrente do time gremista. O gol colocou os mineiros mais ainda no jogo. Tudo se encaminhava para uma reviravolta. Pedro Rocha quase foi do céu ao inferno.

Começou a guerra, que todo mundo esperava. O Grêmio deixou-se encurralar. Deixou o Galo gostar do jogo – o que é extremamente perigoso, dada a qualidade do time. Mas o Grêmio teve calma. Continuou fazendo uma leitura clara das jogadas. Pedro Rocha foi absolvido com um gol de Everton. Geromel pegou o Atlético desprotegido e formulou um contra-ataque fulminante, que resultou no arremate certeiro do Cebolinha. Eletrizante. Foi uma noite gloriosa.

Com mais qualidade individual, o Galo não foi páreo para o coletivo do Grêmio. O Tricolor teve algo que os mineiros não tiveram: organização. Dominou o meio campo. Marcou bem demais. Fica de alerta, a quantidade de gols perdidos. Poderiam ter feito falta. Mas agora é hora de euforia. A análise fica para amanhã.

Espinosa e Renato, campeões em 83, voltaram para trazer de volta os tempos gloriosos. Os homens que nos deram o mundo, estão muito próximos de nos dar mais um título. Porém, sem essa história de pensamento mágico. Não é pelo que fizeram em 83 que nos enchem de esperança, mas pelo que fazem hoje. O Grêmio é um time bem postado e bem treinado. Confiante. Isso sem esquecer do grande legado deixado por outro vitorioso: Roger Machado. O toque de bola envolvente, a tranquilidade... Isso tudo é herança do trabalho de Roger. Renato complementou um belo trabalho que já vinha sendo feito.

Jogar sem soberba, sem arrogância – como vem fazendo. Essa é a receita para quarta-feira. É uma baita vantagem, sem duvidas. Mas falta 90 minutos. É hora de administrar o relógio. Pegar o regulamento e colocar debaixo do braço. Aí, torcedor gremista, o Rio Grande do Sul vai ficar pequeno para tamanha comemoração. Tantos anos sofridos, tantos gritos de “é campeão!” engasgados na garganta há 15 anos. Falta Pouco. Uma semana será uma eternidade. Os 90 minutos restantes idem. Mas nós estamos perto, muito perto.

Janaína Wille, @janainawille


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