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Copa Africana das Nações 2017: o equilíbrio que fez a tradição prevalecer

Jogadores camaroneses comemoram a conquista (Foto: Aljazeera)
No fim de semana, encerrou-se mais uma Copa Africana de Nações (CAN), esta que foi a 31ª edição do principal torneio de seleções do continente. Em 2017, a competição aconteceu no Gabão, contou com 16 seleções e a grande novidade foi a seleção de Zimbabwe, que não havia disputado nenhuma vez na história. Em contrapartida, a seleção nigeriana foi uma ausência marcante, uma vez que é uma das principais forças do continente historicamente - não conseguiu confirmar a vaga.

Entre as atuais favoritas, estavam Argélia, Costa do Marfim, Marrocos e Senegal, sendo a seleção marfinense iniciou a competição como atual campeã. Contudo, a seleção de Camarões foi quem sagrou-se campeão do torneio, após bater a seleção do Egito na decisão, por 2 a 1. Confira os principais destaques do torneio:

Primeira fase


Desde a fase de grupos, a competição já havia sido um tanto quanto atípica: algumas das principais seleções do continente apresentaram um futebol muito aquém das expectativas e times pouco badalados vem demonstrando força na competição. Diferentemente das últimas edições do torneio, jogadores de menos reconhecimento internacional foram os destaques desta primeira fase, enquanto nomes como Aubameyang, Mahrez e Wilfried Zaha não conseguiram ser protagonistas nas suas respectivas seleções.

  • Grupo A: 
(Foto: Le Africain)
Tivemos uma das mais acirradas disputas pelas vagas as quartas-de-final. Gabão e Camarões, eram francos favoritos. Porém, Burkina Fasso, liderada pelo bom atacante do Ajax, Bertrand Traoré, se classificou como líder da chave, com cinco pontos, empatada com os camaroneses. O grande dissabor foi a Seleção Gabonesa, que em teoria era a segunda força do grupo, saiu da competição sem fazer muito. O ponto curioso, é que os gaboneses foram eliminados de forma invicta, somando três empates nos três jogos. Foi uma das grandes decepções da competição.


  • Grupo B:



(Foto: Le Africain)
Senegal fez uma campanha impecável. Mesmo com sete pontos, apenas um a frente da Tunísia, Sadio Mané e cia não deram chances aos adversários. A própria Tunísia, foi a surpresa dessa chave, conseguiram boas vitórias, especialmente nos confrontos diretos, onde praticamente selaram a classificação ao mata-mata. Os mesmos argelinos, sem dúvidas foram a grande decepção dessa fase de grupos. Considerados por muitos o melhor time do continente, a seleção que possui bons nomes, como Brahimi e Mahrez, teve o seu fracasso marcado pela irregularidade. O empate diante de Zimbábue e a derrota inesperada contra os tunisianos, custaram caro.




  • Grupo C:



  • (Foto: L'Equipe)


    O grupo com mais seleções com capacidade de levar o caneco: RD Congo, Marrocos e Costa do Marfim (atual campeã) protagonizaram uma das chaves mais equilibradas. Os atuais campeões eram favoritos, porém isso não saiu do papel. Congo surpreendeu e passou com sete pontos, um à frente de Marrocos e cinco da Costa do Marfim. Diferença que não condiz com a desigualdade entre as seleções. Os principais e experientes jogadores marfinenses, não assumiram as responsabilidades que tinham, algo que culminou em sua eliminação.




  • Grupo D:



  • (Foto: L'Equipe)

    Mohamed Salah, Ramadan Sobhi 
    e cia não deram chances ao azar e confirmaram o favoritismo do Egito sobre Mali. O ponta da Roma liderou sua seleção na fase de grupos, que apresentou um ótimo futebol. Os ganeses também fizeram seu papel, classificação sem brilhantismo e sustos. Fato é que Mali poderia apresentar algo melhor, a irregularidade e as lesões atrapalharam muito. Vale lembrar que Adama Traoré, meia do Mônaco, se lesionou em sua segunda partida na competição.


    Mata-mata


    As fases decisivas da Copa Africana foram marcadas pelo equilíbrio. Os famigerados favoritos, não fizeram jus a isso dentro de campo: Na partida que abriu as quartas de final do torneio, Burkina Fasso venceu a Tunísia de forma categórica, por 2-0. Outra partida surpreendente, foi a vitória do Egito, dominou Marrocos durante os noventa minutos, mesmo vencendo apenas por 1-0. Essas duas seleções citadas foram os grandes dissabores da fase mata-mata, enquanto Camarões e Gana confirmaram seu melhor momento diante de Senegal e RD Congo, respectivamente.


    No confronto das duas zebras, o Egito derrotou a seleção de Burkina Fasso nos pênaltis, contando com a estrela do veterano goleiro de 42 anos, El Hadary. Algo curioso nas penalidades, foi que o goleiro de Burkina, Koffi, defendeu dois pênaltis e ao errar a última cobrança, caiu aos prantos. O outro confronto da semifinal sem dúvidas era o mais aguardado: Camarões enfrentava Gana, um duelo de rivais históricos. Na partida, a tradição dos camaroneses prevaleceu. O jogo foi muito estudado por ambas equipes, porém, Moukandjo liderou Camarões, que venceu por 2-0.


    Com isso, uma das finais mais alternativas de Copa Africana das Nações aconteceria: O bom momento egípcio media forças com a tradição de Camarões. A final foi marcada pela grande imposição física feita pelas duas seleções. Contando com o talento de Mohamed Salah, Elneny abriu o placar na final em um magnifico gol. O Egito se manteve superior na segunda etapa, mas as entradas de Nkoulou e Aboubakar mudaram o panorama da partida a favor de Camarões. Nos minutos finais, os dois marcaram e sacramentaram a vitória heroica da seleção camaronesa, que voltou a ser o 'rei' da África após muito tempo.



    Destaques individuais


    Muito por conta do equilíbrio, os artilheiros da Copa Africana tiveram uma média baixa de gols. O principal goleador da competição, foi o atacante Junior Kabananga, da RD Congo, que marcou 3 vezes no total. Em seguida, temos o argelino Islam Slimani, atacante do Leicester City, que fez dois gols. Nas assistências, os irmãos togoleses Floyd Ayité e Floyd Ama Ayité lidereram no quesito, com dois passes para gol.



    ANÁLISE


    Os estádios vazios foram o principal ponto negativo nessa edição da Copa Africana das Nações. Isso é reflexo da crise vivida na cede do torneio, o Gabão. Diferentemente do que aconteceu em outras oportunidades, os ingressos foram vendidos por um preço elevado, e a Federação Africana muita das vezes, não divulgava o número de pagantes e renda obtida nos jogos. A média de apenas 1,8 mil torcedores por jogo foi algo ridículo para um continente do tamanho do africano. Porém, fato é que a não participação de alguns países populosos influenciou diretamente nisso.


    Time ideal do torneio: 
    El Hadary (Egito); Elmohamady (Egito), Koulibaly (Senegal), Fai (Camarões) e Steeve Yago (Burkina Fasso); Gueye (Senegal), Sliti (Tunísia), Mbemba (RD Congo); Bertrand Traoré (Burkina Fasso), Mohamed Salah (Egito) e Christian Bassogog (Camarões).

    Menções honrosas: Diallo (Senegal), Mahrez (Argélia), Fayçal Fajr (Marrocos), Youssef En-Nesyri (Marrocos), Serey Dié (Costa do Marfim), Kahraba (Egito), Moussa Sow (Senegal) e Kanabanga (RD Congo). 



    (Foto: L'Equipe)


    Melhor jogador: Mohamed Salah (Egito).


    REVELAÇÃO


    A grande sensação jovem dessa CAN, com certeza foi o ótimo atacante marroquino Youssef En-Nesyri. O atleta que pertence ao Málaga, de apenas 18 anos, foi extremamente decisivo para sua seleção na fase de grupos. Dois gols e uma assistência em 186 minutos jogados. Grande desempenho. Alguns times do velho continente já demonstraram interesse no atacante, que também é titular no seu clube.



    (Foto: L'EQUIPE)




    Agora as seleções africanas voltam suas atenções as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. O bom futebol apresentado por Camarões serviu de motivação para os mesmos, já que nas eliminatórias, em dois jogos, conseguiram apenas dois pontos, quatro atrás da Nigéria, que possui 6 pontos e 100% de aproveitamento.

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