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Os desafios de Lucien Favre no Nice

Um dos técnicos mais capacitados da atualidade, o suíço moldou a maior parte de sua trajetória no futebol alemão - onde ganhou ênfase ao elevar o patamar de times medianos do país. Principalmente no Borussia Mönchengladbach, que viveu uma transformação geral durante a passagem de Favre por lá - permanecendo nos Potros por quase seis anos, a mudança de filosofia transitou desde as características do futebol praticado pela equipe até as campanhas sólidas no campeonato local - conseguindo, em pouco tempo, fazer do Gladbach um time competitivo e com presença recorrente em UEFA Champions League. O final de ciclo do jovem treinador no clube não teve desfechos agradáveis, já que desgastado com o elenco e sem brilhantismo, obteve resultados pífios em 2015/16 e acabou encerrando uma linda história no Gladbach de forma conturbada.


Favre ainda não está convencido com o desempenho de Balotelli. (Foto: OGCN).

Na busca de novos desafios, o resto da temporada citada para Favre foi de inatividade. Após sondagens de clubes como Lyon e Bayer Leverkusen, o projeto ambicioso do Nice seduziu o suíço em prol de, nos mesmos parâmetros da revolução proferida na Alemanha, conseguir mudar o nível dos Aiglons em cenário nacional - considerando que o clube da Costa Azul francesa vinha de uma temporada surpreendente com Claude Puel, terminando a Ligue 1 na quarta colocação. Em tese, o Nice ganharia muito com Lucien, que reconhecidamente entende o jogo mais abertamente e raramente se prende a esquemas táticos - o principal vício de Puel na carreira como um todo, é esse: priorizar o 4-1-2-1-2 por todos clubes que passou, todavia mantendo os dotes da formação.  

Com os reforços pontuais do interior Wylan Cyprien e do talentoso Younés Belhanda na temporada passada, Favre ganhou opções das mais variadas para iniciar uma época que prometia bons frutos ao Nice. Além deles, a manutenção de Ricardo Pereira e a volta de Valentin Eysseric, juntamente do world class Mário Balotelli, foram essenciais para encorpar um pródigo elenco. Tradicionalmente, o expoente dos times do suíço costumam conter mais liberdade dos demais - nos Aiglons, não é diferente - em 2016/17, o mediapunta franco-marroquino Belhanda tinha funcionalidade e capacidade de flutuar entre as linhas e criar espaços vazios - repetindo o que fazia no Montpellier, e assim, se tornou o mais importante na criatividade do time, ás vezes, decidindo individualmente em lances avulsos.


Apesar da chegada de Sneijder, o africano ainda fará falta. (Foto: L'Equipe).

Entretanto, o início do campeonato para o Nice de Favre, apesar dos resultados e bom nível apresentado, foi aquém no sentido tático, em preferências convencionais do treinador: na estreia diante do Rennes e em várias rodadas seguintes, o time atuou encaixado num esquema de cinco defensores - com o jovem central Malang Sarr entrando em evidência - porém, apenas se caracterizou como uma alternativa, já que no decorrer da temporada o Nice variou ao 4-3-3. Na maioria das oportunidades, pela falta de extremos que ofereçam mais profundidade, era corriqueiro Belhanda desempenhar papel nos flancos, partindo das beiradas por dentro com intenção de abrir hiatos na defesa adversária - em jogos mais tranquilos, o pivô Alassane Pléa também chegou a jogar aberto (função de origem dele, nos tempos de Lyon). Contudo, nenhuma dessas variações se transformou em solução e um dos poucos defeitos dos Aiglons no primeiro turno ficou sinalizado como uma lacuna em atletas típicos nas pontas.

Paciente na troca de passes, amplitude dilatada por Ricardo Pereira e Dalbert, interiores associativos e capazes de desequilibrar: esse era o retrato do vistoso futebol demonstrado pela equipe de Favre até meados de novembro. A partir disso, uma oscilação em qualidade do jogo se mostrou natural - sem a mesma eficácia do começo do ano, o OGCN continuou somando pontos e tranquilamente mantendo a confortável terceira posição até o final da temporada. O fulcro dessa queda de rendimento, pode ser explicada pelas seguidas lesões de jogadores fundamentais no elenco, como as de Wylan Cyprien e Pléa. Num retrospecto geral: excelente temporada - todavia, abrir mão de melhor aproveitamento nas Copas nacionais e Liga Europa (onde caiu na fase de grupos) não foi uma decisão coesa, mas que rendeu um bom resultado ao Nice no final das contas.

A atual temporada será tão peculiar quanto a última, já que disputando a competição de clubes mais relevante do continente e com maior cobrança interna por resultados, Lucien deverá demonstrar toda sua capacidade. Outra vez, as saídas de nomes cruciais no elenco, foram repostas com uma visão ampla do mercado de transferências por parte da diretoria Niçois: no meio-campo, o também world class Wesley Sneijder chega com a missão de jogar tanto nos lados ou como enganche dentro do 4-2-3-1 que culminou na crescente do OGCN na reta final da temporada passada - junto dele, duas apostas interessantes, o pivote formado na exitosa base do Nancy, Adrien Tameze veio para completar elenco, diferentemente da jóia Jean Makengo, que similar á Seri, tende a figurar como reserva lógico do marfinense. Na lateral, a reposição de Ricardo Pereira, que voltou ao Porto, é o veterano Christophe Jallet, que estava no Lyon e pretende disputar a Copa do Mundo de 2018 pela França.


Além de ótimo técnico, Favre sabe gerir bem seus elencos. (Foto: L'Equipe).

Mudança de característica nos flancos: anteriormente, pela lacuna evidente do setor no elenco, Favre chegou a utilizar Ricardo Pereira (que é lateral, mas extremo de origem) na função - onde o mesmo rendeu e cumpriu bem sua determinação de oferecer mais velocidade nas beiradas, o que não era visto quando Pléa e Marcel atuavam na posição. Nessa janela, o Nice trouxe dois nomes que possuem polivalência de desempenhar trabalhos mais incisivos em ambos lados: o grande destaque do modesto time do Dijon que conseguiu escapar da queda na temporada passada, Pierre Lees-Melou e também desembolsaram 10 milhões de euros pelo ótimo Allan Saint-Maximin, que na visão de muitos, tem potencial de craque - o primeiro representante, dá algo que Lucien perdeu com a ida de Eysseric a Fiorentina, além de profundidade e talento individual, mais cadência e armação pelo centro. Já no sentido de jovens prodígios, o mediapunta tunisiano Bassem Srarfi, que chegou em janeiro vindo do Club Africain - outro achado de Favre, se destaca, titular nos primeiros jogos dessa temporada, será peça importante no elenco e com perspectivas certas de evolução.


Saint-Maximin: uma contratação que muda o patamar do Nice. (Foto: OGCN).

Em um contexto geral, há necessidades de mais aquisições pontuais para competir no máximo possível. Um setor carente do elenco, é a lateral-esquerda - nela, Malang Sarr e Olivier Boscagli, que podem jogar no setor mas que originalmente são centrais, figuram como as opções para a posição. Pensando no estilo dos times de Favre, o Nice trouxe peças para, ter mais leque de variantes e principalmente, recriar com as reposições, o âmbito que o time teve em certos momentos da última temporada: centrais ativos com a posse e fluentes nas saídas de bola em velocidade, laterais que tem capacidade de triangular e associar, abrindo o campo, interiores criativos e reativos e por fim, um ataque móvel e com diversas peças que oferecem alternâncias durante os jogos. O grande teste de Favre será manter essa filosofia de futebol - girar a bola e partir dela criar hiatos na intenção de atacá-los com extremos profundos, sem perder a competitividade apresentada na temporada passada, onde o material humano era melhor em quantidade e qualidade.

VARIAÇÕES PROVÁVEIS

(4-2-3-1): Cardinale; Sarr, Dante, Le Marchand e Souquet; Seri e Koziello; St-Maximin - extremo, Sneijder e Lees-Melou - mediapunta; Pléa

(4-3-3): Cardinale; Souquet, Dante, Le Marchand e Jallet; Cyprien, Seri e Walter; St-Maximin - extremo, Balotelli e Sneijder - mediapunta

(5-3-2): Cardinale; Souquet, Dante, Le Marchand, Sarr e Jallet; Seri, Cyprien e Makengo; Pléa e St-Maximin

Nomes como Rémi Walter, Arnaud Lusamba, Adrien Tameze e a jóia formada em casa Hicham Mahou, devem ganhar minutos eventualmente na temporada, porém não se encaixam em variações ocasionais de time titular dos Aiglons. Há futebol e qualidade em todos os jovens citados, porém não estão prontos para assumir tal posto. É claro que, caso elimine a Napoli nos playoffs da UEFA Champions League e consiga chegar na fase de grupos do torneio, os comandados de Lucien Favre disputariam quatro competições de alta exigência, e elenco forte seria essencial. 



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