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Após a janela, o quanto nos aproximamos do título?

Terminada a janela de transferências italiana é normal que torcedores e corneteiros de plantão façam perguntas sobre as reais possibilidades de cada time. O quanto de fato nos aproximamos do Scudetto? Temos chances reais de título ou devemos nos contentar com um eventual retorno à Liga dos Campeões? Ficou faltando reforço em algum setor? Temos o treinador certo para atingir os nossos objetivos? São perguntas naturais, não importa a cor de sua bandeira. 

 
Resumo do mercado rossonero. Fonte: Twitter AC Milan

Analisando o mercado rossonero, essa resposta é óbvia, pelo simples fato de termos dado um grande salto de qualidade no time podemos afirmar que estamos mais próximos do título do que nas temporadas passadas. O problema é analisar o quão perto estamos, porque para isso devemos analisar outros fatores, como a velocidade com a qual o time irá se encaixar, a profundidade do elenco, o rendimento de jogadores que carregam maior expectativa, a reação do treinador frente às dificuldades e claro, o quanto nossos rivais também se movimentaram na janela de transferências.

Depois de um início frenético de mercado, a reta final acabou sendo decepcionante para alguns torcedores que esperavam o tal "Mister X" (o qual eu já havia alertado que seria o Bonucci) e também pela não contratação de um ponta esquerda que sirva de opção para Bonaventura ou Çalhanoglu quando ambos atuarem juntos. Ainda assim, penso que nos queixar da atual janela seria muita ingratidão, visto que além da manutenção Gigio, tiramos um ídolo rival e compramos um time inteiro, indo muito além dos 100 milhões esperados antes da abertura do mercado.

Penso que evoluímos bastante, tanto na formação inicial quanto no banco de reservas. Espero que o Montella veja a Série A como prioridade e que use o elenco nas primeiras fases da Liga Europa, dando maior atenção a ela apenas numa eventual reta final, já que a ideia mínima é de retorno à Liga dos Campeões e o caminho via liga é mais seguro, não ficando a mercê das chamadas bolas vadias que em uma competição de mata-mata podem jogar todo um trabalho fora. 

Quanto aos rivais, penso que nossa briga é com Juventus e Napoli. A Inter pode surpreender, mas ainda a vejo se gladiando com Roma e Lázio pela quarta posição. 

E Inter fez um mercado pouco agressivo, apostando numa segunda chance para o time que não funcionou na temporada passada. Os maiores destaques da janela de transferências vão para o lateral esquerdo brasileiro Dalbert que fez ótima temporada no Nice, o zagueiro eslovaco Skriniar e o meia uruguaio Matias Vecino, ainda assim, vejo o time mais dependente do que nunca da capacidade do croata Perisic e principalmente dos gols do argentino Icardi, além de não ter peças de reposição a altura no setor ofensivo. 

A equipe napolitana seguiu o exemplo da Inter, apostando na continuidade do elenco, mas que diferentemente dos nossos rivais de Milão o trabalho vem sendo muito bem realizado pelo ótimo Maurizio Sarri. A equipe também contratou pouco e visando opções para banco de reservas, os principais nomes foram o meia croata Marko Rog e o argelino/francês Adam Ounas ex-Boudeaux que atua na ponta esquerda, mas pode jogar pela direita e por dentro. A grande carência da equipe de Sarri está na setor defensivo, que sem grandes reforços continua a ser o calcanhar de Aquiles do time. 

Nossa grande rival na busca pelo título deu tiros certeiros nessa janela de transferências, inclusive conseguindo ótimos valores por jogadores que considerando a loucura do mercado acabaram sendo verdadeiras pechinchas. Se por um lado a defesa perdeu em velocidade, vigor físico e saída de bola com a perda de Bonucci, a recente aquisição do alemão Howedes foi uma das melhores opções possíveis, tanto em termos de liderança quanto qualidade, porém, apesar de forte, a defesa está lenta e apenas um inesperado salto de qualidade do jovem Rugani poderá trazer isso ao time. As grandes notícias para o torcedor de Turim foram as aquisições de Bernardeschi e Douglas Costa que dão ao time o poder de desequilíbrio que faltou em momentos cruciais em outras temporadas. Os pontos fracos do elenco estão no comando de ataque que ainda carece de opções e nos reflexos que a ausência do Bonucci trará à forma de jogar do time.

E o Milan? 

Em termos de time titular não devemos nada a nenhum dos rivais. E nem estou caindo na armadilha de endeusar jogadores como Musacchio (ao meu ver será reserva), Kessié e Cutrone, que vêm de ótimo início de temporada, mas que deveriam ser vistos como jogadores em evolução e não como soluções, e fica claro pela euforia inicial que a nossa torcida está depositando demasiada expectativa em jogadores que renderam contra adversários de baixo nível técnico, penso que é preciso ter calma para não queimar esses jogadores. O onze inicial me deixa muito satisfeito, principalmente levando em consideração as incertezas quanto a ação chinesa nesse primeiro mercado. Mantivemos o futuro melhor goleiro do mundo, temos uma dupla de zaga que marca bem e sai jogando com qualidade. Conti e Rodriguez são laterais que embora tenham imenso potencial ofensivo não deixam a desejar na marcação. Temos boas opções no meio e embora o tal camisa 9 matador não tenha vindo, há boa qualidade no comando de ataque, seja na experiência de Kalinic ou na juventude do André Silva e Cutrone (torcendo para que o moleque não seja uma versão 2.0 do El Shaarawy apesar do estilo de jogo diferente). 

Aposto muito no sucesso de uma eventual trinca pelo lado esquerdo formada Rodriguez, Bonaventura e Çalhanoglu, potencialmente falando um dos melhores lados esquerdos da Europa. Do lado direito também deve surgir coisa boa com Conti, Kessié e Suso. Espero que o espanhol cresça e não suma nos momentos decisivos e que Kessié entregue o que promete, já que até o momento não partilho da certeza de outros torcedores, ele vem se impondo na força e na raça, mas tecnicamente ainda não mostrou muito, porém, ainda vi muito pouco para cornetar.




Claro que nem tudo são flores e embora tenha sido dado um voto de confiança ao Montella, espero que ele defina rápido o 4-3-3 como esquema principal e pense na formação com três zagueiros apenas para determinadas situações de jogo ou rotação de elenco. O sucesso também passará pela confiança dada ao regista do time, será Locatelli, Biglia ou Montolivo? É importante definir isso para dar sequência de jogo a uma equipe titular. Também vejo carências nas reposições das laterais, principalmente o lado direito, nos meias de ligação e pontas abertos, o que pode prejudicar o nosso rendimento quando precisarmos de rodar o elenco. 

Montella em treino. Fonte: AC Milan

Voltando à pergunta inicial do texto, penso que nos aproximamos muito do título e que nossa possibilidade de conquista é real, mas vai depender muito da resposta do Montella frente às exigências da temporada, de seu foco na liga e ambição de conquista, tenho receio de que ele se contente com a vaga na Liga dos Campeões e opte por brigar por taças apenas nas copas. 

Espero que nossa defesa se consolide e que nomes Rodriguez, Bonaventura, Çalhanoglu e Kalinic assumam o protagonismo ofensivo necessário para que possamos voltar ao lugar que é nosso por direito. 

Por Gilmar Costa

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