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Clássico chato, porém para refletir

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(Foto: Yahoo Esportes)

37 minutos do segundo tempo. Flamengo x Vasco. 0x0. Você é um centroavante alçado ao time titular que passou tempos esquecido. Primeiro por Damião, o peladeiro. Depois, passou a ser preterido pelo amigo que subiu ao profissional junto com você, mas que ocupa sua posição mesmo improvisado. De repente, você entra no maior clássico de todos. Aparece essa chance pra você fazer o que faz de melhor, cabecear, sozinho com o goleiro e decidir o jogo. O que você faz?

Recua na mão do goleiro.

48 minutos do segundo tempo. Flamengo x Vasco. 0x0. Você é um volante que já está há 4 anos no clube e há quatro anos é contestado. Quando foi contratado um homem para sua posição, o técnico novo preferiu você. Mesmo assim, foi perseguido. Contrataram outro. Você continuou jogando. Trocaram o técnico. Você perdeu a posição e tem uma chance em um Flamengo x Vasco. Você com a bola, sozinho no meio de campo, no último minuto, tendo todos os jogadores possíveis para passar a bola. O que você faz?

Fica segundos com a bola dignos de uma narração "O QUE QUE EU FAÇO COM A BOLA?" do Milton Leite e dá um chute tosco, rasteiro, para fora. O jogo termina.

Os dois lances em questão, assim como os dois jogadores, Felipe Vizeu e Márcio Araújo, são sugestivos e exemplares para se diagnosticar erros de avaliação e usos de alguns jogadores no elenco do Flamengo esse ano. Assim como uma fila de outros jogadores, a diretoria do Flamengo errou em algumas apostas e, mais ainda, na manutenção de algumas figuras.

Foi um jogo de Zé Ricardo contra Zé Ricardo. Vimos um time enraizado com o jeito Zé Ricardo de jogar, que toca a bola e não entra no ataque, não sabe definir. Do outro, uma versão de Zé Ricardo com um time de potencial muito menor. Tenta se defender, consegue, mas não conseguiu ameaçar o gol adversário tampouco.

Jogo chato. Modorrento. Um clássico completamente esquecível no Maracanã. Sem gols, sem defesas, sem jogadas marcantes.

Minto, pra não dizer que não houve uma jogada marcante, há de se lembrar de duas. Uma delas justamente a do lance protagonizado por Vizeu, que surgiu de um passe (não um cruzamento) do garoto Vinicius Jr. que demonstrou personalidade e audácia como em todas as vezes que esteve em campo.

Era tão morna a peleja que chegou uma hora na qual tanto Flamengo como Vasco pareciam querer que o jogo terminasse logo, ainda que o Flamengo buscasse muito mais o ataque e até ensaiasse uma pressão. Atrás, era seguro. Juan dava essa tranquilidade. Foi o ator principal na outra jogada marcante citada acima: um desarme frontal com as duas pernas sobre Nenê em um dos poucos contra-ataques que ameaçava o Vasco. Soberano.

Na frente, o defeito de sempre. E quando precisou confiar nessas peças do elenco, elas decepcionaram. O departamento de futebol do Flamengo precisa urgentemente rever seus métodos de avaliação de alguns atletas. Era um jogo importante não só pelo clássico, mas pela consolidação do Flamengo no G-7, que se tornou o objetivo mínimo a ser alcançado esse ano.

Ou por conta da impaciência da torcida ou por serem apenas fracos, o Flamengo precisa de uma barca de fim de ano. Atletas como Muralha, Rafael Vaz e Gabriel não cabem mais no Flamengo que quer ser campeão de alguma coisa. Nesse clássico chatíssimo e engessado, a reflexão para os dirigentes tem que ser essa. Caso contrário, continuaremos vendo lances como esses quando precisarmos contar com nossos reservas.

No mais,
Saudações rubro-negras. 

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