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Não podemos nos abater


O Fluminense entrou em campo ontem, 1/11, com uma missão quase impossível: ganhar de um time com investimento bem maior e com vantagem do empate. Nossa torcida não quis comparecer e deixou que o Maracanã realmente fosse deles, como costumam cantar. É difícil analisar uma eliminação do jeito que foi, apenas pelos dois jogos. Ficar limitado a 180 minutos onde, especialmente nos últimos 90, o time demonstrou bastante vontade de ganhar e acabou saindo mais pelos próprios erros, não contempla toda a situação.


Para chegarmos ao ponto de vermos em toda postagem do clube nas redes sociais comentários de "Fora Abad", o Fluminense percorreu um longo caminho de enormes erros desde a saída da Unimed. O presidente anterior, Peter Siemsen, achou que poderia manter o pique que a nossa patrocinadora tinha e não se livrou de todos os jogadores que deveria, além de ter contratado muitos jogadores ruins com contratos longos e salários desproporcionais. Tudo devidamente aprovado por todos os setores do futebol e fiscais, ao qual Abad fazia parte. Isso somado à construção do Centro de Treinamento, que Peter tinha obrigação de fazer já que prometeu nas primeiras eleições, levou o Tricolor a se afundar ainda mais.

Foto: Divulgação

Passado o pleito do ano passado, quem conseguiu contar uma mentira mais convincente acabou ganhando. Abad reforçou o coro de que as contas do clube estavam equacionadas, como gostavam de dizer, mas na hora que assumiu mudou o tom e passou a dizer que não tínhamos um tostão furado. Emprestou alguns jogadores, vendeu outros e não contratou o tal ídolo que disse ser possível trazer.

Nesse momento cabe a primeira reflexão para se fazer desse ano que já é desastroso para o Fluminense e pode se tornar ainda mais. Que Abad mentiu para vencer as eleições é fato. Entretanto, a partir do momento em que se assume o clube, qual a opção que havia para ser tomada? Contrair mais dívidas e tornar isso completamente insustentável em poucos anos, ou passar a arrumar a casa enquanto ainda nem tudo está perdido. Nosso presidente optou pela segunda opção e estamos tendo de conviver com os prós e contras disso.

As vantagens a curto prazo, diga-se, são poucas e a administração não consegue mostrar ao torcedor que o caminho que eles escolheram pode dar frutos lá na frente. Afinal de contas, como se explica um patrocínio master de três semanas? Qual a razão de prometer um estádio que todo mundo sabe que não sairá num futuro próximo? Porque compram um time na Eslováquia e tratam isso como se fosse trazer os jogadores de volta já prontos para serem titulares?

Já as desvantagens, são muitas e bem visíveis: eliminação na Primeira Liga para o Londrina; oito jogos  no ano contra o Flamengo e nenhuma vitória; nenhuma virada a nosso favor no Campeonato Brasileiro; time que mais empata no Brasileirão; apenas quatro pontos de frente para a zona de rebaixamento; elenco pequeno que não mantém o nível quando alguém machuca, defesa que toma gol quase todo o jogo e por aí vai.

Finalmente chego no jogo contra o rubro-negro e pergunto: se o elenco do Fluminense fosse colocado com outra camisa, do Coritiba ou Santos, para enfrentar o time de Rueda, você acreditaria num resultado positivo? Mas isso não quer dizer que deve-se abandonar a arquibancada de vez. Os jogadores podem ser jovens, alguns são muito ruins, o técnico pode fazer decisões erradas, mas alguém tem que demonstrar para quem está em campo que acredita. Acaba sendo a história do "você finge que acredita em mim e eu finjo que acredito em você". Infelizmente, vira nossa única saída. Se não acreditarmos, quem vai?

Dourado não apareceu no jogo
Foto: Mailson Santana/Divulgação FFC

Não pense com isso que estou conformado com o resultado ou com o discurso de apequenamento que temos ouvido. Acho um absurdo o time abrir 3-1 e não manter a vantagem. É ridículo começar a dar chutão e recuar com 10 minutos do segundo tempo. Perdemos inúmeros contra-ataques porque o time não sabia sair trocando dois, três passes. A entrada do Romarinho foi mais uma prova de que Abel vive fora da realidade. Um jogador como aquele não deveria nem ser relacionado para uma decisão como essa.

E qual seria a saída? Vi alguns torcedores pedindo a saída do Abel. A ideia pode parecer boa, mas não funcionaria. O time mostra estar 100% comprometido com o técnico e mandá-lo embora  desencadearia uma onda de negatividade no elenco ainda maior do que já tem. O melhor é deixá-lo até o fim do ano e depois avaliar o mercado para contratar outro treinador, muito embora não acredite que Abad vá mandar Abel embora em algum momento próximo.


Eterna relação de amor e ódio. Dessa vez a torcida quer a cabeça de Abelão
Foto: Mailson Santana/Divulgação FFC


Também não acho que iremos cair. Muito graças ao nosso começo de campeonato. Aqueles pontos improváveis que conquistamos farão a diferença. A grande dúvida que fica é qual time teremos para 2018. Com certeza mais uma ou duas promessas serão vendidas, Richard e Marlon devem ser contratados em definitivo (espero que Romarinho não) e duvido que mais algum jogador interessante venha. O clube terá de prestar bastante atenção nos estaduais e contratar os destaques dos clubes menores. 

O importante é nunca perder a esperança. Nós, torcedores, não podemos abandonar o clube. Não podemos confundir o Fluminense Football Club com a Flusócio. Parar de acompanhar o time não afetará apenas o Orejuela, que não está nem aí, mas o próprio Fluminense que existiu antes desses jogadores e diretoria e continuará existindo após a saída deles.

Saudações Tricolores

Matheus Garzon

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