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Janela rossonera: mercado interno deveria ser prioridade

A tão sonhada Liga dos Campeões não veio. Ficamos com a vaga na Liga Europa, resta agora ver em qual fase entramos, o que muda pouco no planejamento de elenco para a próxima temporada. Entre os tiros certos e errados dados no mercado nessa temporada, especulações de saídas importantes penso que devemos continuar a investir em destaques do Calcio, já que nossa espinha dorsal atual é formada por contratações que se destacaram internamente: Romagnoli, Bonucci, Bonaventura, Kessié e Suso, além da expectativa em cima de Conti, mostram que o Calcio ainda é um bom mercado. Em que se pese os maus momentos técnicos de Bonaventura, Biglia e Kalinic (os dois últimos, erros de mercado), fica claro que jogadores vindos do Calcio necessitam de menos tempo para engrenar. E não significa que devem ser fechadas as portas para jogadores de fora, mas que em se tratando de jovens olhar para o mercado ainda é uma boa, devendo-se recorrer para fora apenas quando os nomes forem de jogadores já consolidados.


Temos a menor média de idade da Itália, o que aponta para a tentativa de renovação que vem sendo feita nas últimas temporadas, mas que acabou pesando nos momentos cruciais da temporada e isso aparentemente aponta um caminho a ser seguido na consolidação da equipe para a próxima temporada: a contratação de jogadores mais experientes. Porém, a necessidade de jogadores que cheguem para resolver não necessariamente indica que tenham de ser jogadores de idade mais avançada, até porque muito dos fiascos contratados nessa temporada não são jovens, por isso não devemos cair na armadilha de que falta experiência quando na verdade o que falta é qualidade. 

Penso que três nomes já especulados com o perfil "destaques do Calcio", Chiesa, Belotti e Politano seriam ótimos investimentos e solucionariam muitos dos problemas da equipe. Chiesa joga na maioria das vezes pelo lado direito do campo, mas já atuou pela esquerda e poderia ser a solução para esse problema deslocando Çalhanoglu para o meio e fortalecendo a criação por dentro. Belotti seria o homem gol que falta a um ataque jovem, onde a peça experiente é pífia tecnicamente. Politano seria opção para o Suso, para o próprio Chiesa em caso de saída do espanhol ou mesmo como titular assumindo a vaga do espanhol com o Chiesa pelo lado esquerdo. 

Parte da torcida torce o nariz para essas contratações pelos altos valores especulados, em especial do Belotti. Porém, a regra entre clubes italianos são transações de valores medianos se comparados a outras ligas, inclusive do ponto de vista salarial. As pessoas por aqui costumam aplicar os valores exorbitantes de transferências atingidos em outras ligas, achando que os destaques italianos sairão pelo mesmo montante, quando o histórico mostra que não é bem assim e que se pode contratar do Calcio por valores e salários acessíveis. 

A ideia de que um destaque no Calcio ultrapassará a casa dos cinquenta milhões de euros é equivocada e meramente especulativa quando se analisa o histórico do mercado. A única exceção de transferência interna que ultrapassou esse valor foi a maluca saída do Higuain para a Juventus. É regra que jogadores consagrados ou grandes promessas (que geralmente são mais caros) não atinjam esse valor. Mesmo em negociações entre rivais que geralmente tornam a transação mais cara, a história nos mostra valores ponderados, como podemos observar nas negociações de Bonucci (42M)*, Bernardeschi (40M), Pjanic (32M) e Romagnoli (25M) ou de jogadores vindos de clubes menores como Dyballa (40M) e Conti (24M), os valores nunca se aproximaram da gastança vista em outras ligas, porém, as pessoas confundem especulações com os valores que de fato se concretizam. (*valores em euros, fonte: Transfermarkt)  

Outra questão que coloca sob desconfiança o investimento em talentos do Calcio é o fracasso da Nazionale nas eliminatórias. Cria-se uma ideia equivocada de que não há talento interno quando parte do fracasso se dá exatamente pelo péssimo trabalho do treinador que não deu o devido espaço aos jovens que mereciam. 

A questão salarial de jogadores vindos de clubes menores da Itália também se faz importante em tempos de fair play financeiro nos calcanhares chineses, um destaque local ganha em média quatro vezes menos que destaques de outras ligas.

Começamos a agir no mercado visando fortalecer o elenco com as contratações de Reina e Strinic. Na contramão de algumas pessoas penso que são boas opções se vistas para composição de elenco. Reina será útil também no desenvolvimento de Donnarumma e Plizarri. Strinic marca bem e a solidez defensiva apresentada com o Rodriguez seria mantida e ainda se ganha fôlego financeiro com uma inevitável saída de Antonelli. Outras saídas também podem oferecer ao clube alívio na folha de pagamento e algum retorno financeiro, casos de Bacca, Bertolacci, Gustavo Gómez (como Zapata inacreditavelmente segue prestigiado com a comissão técnica a tendência é que o colombiano permaneça), Bertolacci e a concretização das cláusulas obrigatórias de compra de Lapadula (11M) e (Niang (12M). Também procurar recuperar o valor que terá de ser investido em Kalinic, relançando-o no mercado, assim como Borini que apesar de um valor mais baixo parece ainda ter mercado. Esse passos são fundamentais na obtenção de fôlego financeiro, buscando o acréscimo de qualidade que falta para darmos um salto na tabela. 

Carecemos de qualidade por dentro, de preferência alguém que chegue para jogar na função de regista e na posição do Bonaventura (que pela bola jogada recentemente deveria ser visto como opção jogador para elenco, talvez um tempo no banco sirva para acordá-lo). Também temos que nos reforçar nas pontas e buscar um atacante de peso para que um jovens como Cutrone e André Silva (eu negociaria o português, mas penso que a diretoria irá mantê-lo) sejam vistos como opções e não soluções.

Fato é que não devemos esperar que cheguem jogadores de nível mundial, não estamos na maior competição de clubes do mundo, não temos condições financeiras de investir em transferências e salários que concorram com outros mercados. É momento de continuar com o planejamento que vem aos poucos consolidando nomes na equipe.

Por Gil Costa

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