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Resgate do torcedor rubro-negro, classificação e questões pra se pensar

No fim de semana o Flamengo emplacou uma vitória convincente em cima do Internacional pelo Campeonato Brasileiro, 2 a 0 num Maracanã lotado, recorde de público no Brasileirão. E assim foi contra a Ponte Preta. A torcida compareceu. Com a chave virada para a Copa do Brasil, ontem foram quase 56 mil presentes no Mário Filho. A diretoria do Flamengo finalmente acertou no que se refere aos preços dos ingressos, que na verdade é um discussão complexa, mas que demorou muito pra se chegar num equilíbrio.


Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

A primeira questão para se pensar é sobre os ingressos e a presença da Maior Torcida do Mundo no Maracanã. Pois bem, o Maracanã é um estádio muito caro. Na última partida, contra o Internacional, a renda foi um pouco mais de 1 milhão e 400 mil reais, sendo que o aluguel do estádio mais despesas de manutenção levaram o clube a ficar somente com um pouco menos de 200 mil reais de renda. Então, vale a pena não ter uma renda tão grande em troca de ter a massa Rubro-Negra lotando o estádio? Vale sim. Mas claro, não podemos deixar de lado a importância do ganho com a bilheteria. Entretanto, o Flamengo tem a maior renda do país e não pode ter o ponto "bilheteria" como principal na arrecadação de fundos. Para a receita que o Flamengo tem, deveria ser um caminho natural achar que não é um grande desperdício abrir mão de um equilíbrio que trouxesse uma receita maior na bilheteria pesando num ganho esportivo, de ambiente, que é esse resgate do torcedor. Em geral, a bilheteria não é a principal fonte de renda dos grandes clubes.

Sobre o jogo, em que Flamengo já entrava em campo classificado e entrava também com o mesmo time do final de semana. Tá aí uma demonstração de que o time começa a ganhar forma, mesmo com desfalques como Diego e Juan e titulares momentâneos como Geuvânio, que até hoje não mostrou o que veio fazer no Flamengo.

De início, o Flamengo - jogando pelos lados do campo - começou melhor, sobretudo com Éverton Ribeiro que parece estar começando a se adaptar ao time, emplacando duas excelentes partidas em sequência. Mas a Ponte Preta veio bem distribuída e em geral o time do Flamengo não conseguiu impor seu jogo, chegando perigosamente só aos 29 min do primeiro tempo. Na etapa complementar, o Flamengo conseguiu ameaçar mais quando trocou passes e se movimentou com mais rapidez. Fora isso, a solidez da defesa alvinegra segurou as estocadas rubro-negras. Flamengo jogou bem, porém, não tão bem como nas últimas partidas. Muito por mérito da própria Ponte Preta que foi bem postada durante todo jogo. No geral, foi um jogo de pouca criatividade, Flamengo sofreu bastante e a melhor chance de gol foi da Ponte com um chute na trave de Felipe Cardoso.


Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
Guerrero entrou no segundo tempo e está começando a readquirir ritmo de jogo. A torcida faz uma festa quando o atacante peruano é chamado e a expectativa é grande para que Paolo retome o alto nível depois de meses afastado. A grande diferença de Guerrero para Dourado é que o selecionável do Peru não se restringe a somente fazer gol. Se a bola cai nele, o jogo prossegue. Com Dourado, a bola morre. Guerrero também consegue aparecer, descolar da zaga, abrir espaço pra infiltrações em diagonal. Ele consegue dar essa continuidade e dinamismo que tava faltando ao ataque do Flamengo. Isso é muito bom para o time. Porém, não se pode crucificar o Henrique Dourado. Se nos classificamos hoje, foi por causa do gol dele e o Ceifador é o artilheiro do time no ano. Tá fazendo seus gols e começa a ser perseguido injustamente por parcela da torcida do Flamengo.

A segunda questão para se pensar é a classificação. O time teve destaques individuais, como Éverton Ribeiro e Guerrero, mas no coletivo falhou muito, principalmente no primeiro tempo que não teve movimentação, não teve aproximação e não conseguiu jogar eficientemente pelos lados. Muito disso se decorreu pelo esquema da Macaca bem montado pelo Doriva. Então o Flamengo foi acomodado? Não, o Flamengo não veio acomodado. A Ponte preta, mesmo perdendo, veio com a proposta de se defender, tentando jogar por uma ou duas bolas, no erro do Flamengo, que poderia ter matado o jogo mas errou muito na finalização. Poderia ter sido um jogo mais tranquilo, são seis jogos sem levar gol, no entanto, Flamengo deixa a certeza para sua torcida de que esse time ainda está em construção e ainda tem muito a se evoluir.

Torcida que compareceu, cantou do início ao fim e não deixou de apoiar o time um segundo se quer. Ficou claro que o comportamento dela foi diferente. Isso tem tudo a ver com o preço do ingresso e do tipo de perfil do torcedor que compareceu ao estádio. Mesmo com um empate e a classificação garantida pelo gol marcado na partida de ida, o torcedor não considerou a possibilidade de vaiar o time. Não foi aquele torcedor que vê o jogo como um evento qualquer, que reclama de tudo, que é exigente pelo tipo de consumo e que, majoritariamente, é de uma parcela mais abastada da sociedade que tem condições de pagar o ingresso caro e excludente que a diretoria rubro-negra vinha praticando. Foi sim o torcedor "raiz", que é habituado com o estádio de futebol. Houve um resgate, nesses dois últimos jogos, da relação entre o Flamengo e o seu verdadeiro torcedor que, de certa forma, estava afastado do estádio. Que continue assim.

No final de semana a chave volta a ser virada para o Campeonato Brasileiro. O Mais Querido encara a Chapecoense fora de casa em busca de mais três pontos para manter a liderança isolada.

No mais, saudações rubro-negras!

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