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Raio-x: o que esperar da seleção russa no mundial?

É uma satisfação enorme ter a oportunidade de escrever sobre uma seleção nacional com a qual tenho tanta identificação. A Rússia produziu muitos dos meus grandes ídolos na literatura, nomes como Pushkin, Gogol, Pushkin, Dostoiévski e principalmente Gorki. Embora a equipe de futebol esteja longe do selecionado literário, o fator casa pode ser determinante para que a seleção surpreenda, já que hoje, analisando o elenco e o futebol apresentado poucas são as chances da anfitriã. Apesar disso, a meta da imposta pela Federação Russa é ousada: semifinais. Principalmente se considerarmos o conturbado processo de preparação. 

O PROFESSOR

Treinador Stanislav Cherchesov Imagem: Goal
Inicialmente os planos russos para o ciclo 2018 passvram pelo consagrado Fábio Capello que aparentemente resistiria à péssima campanha na Copa do Mundo do Brasil, quando a seleção caiu na fase de grupos e mesmo assim ele teve o contrato renovado, porém, pouco tempo depois anunciou sua saída da seleção. A tarefa na Eurocopa disputada em solo francês ficou a cargo de Leonid Slutsky ex-treinador do CSKA Moscou, que após fiasco no torneio, onde a equipe caiu na primeira fase sem vencer uma partida sequer também não resistiu e acabou mandado para Sibéria.

O escolhido foi o ex-treinador do Legia Varsóvia (POL), Stanislav Cherchesov que é nome desconhecido do público em geral, mas que possui carreira de mais de quinze anos na Rússia, já tendo trabalhado em equipes menores e com passagens em Spartak Moscou (RUS) como Diretor e Treinador e mais recentemente (2014) como Treinador do Dínamo Moscou. Porém, seus únicos títulos como treinador foram em solo polonês, quando na temporada 2015-16 venceu a Liga e a Taça da Polônia, títulos que acabaram o credenciando para guiar os russos no restante da caminhada ao mundial. 

OS SELECIONADOS

Goleiros: Akinfeev (CSKA Moscou), Vladimir Gabulov (Brugge) e Lunev (Zenit)

Defensores: Granat e Kudryashov (Rubin Kazan), Kutepov (Spartak Moscou), Sergey Ignashevich (CSKA Moscou), Semenov (Terek Grozny), Smolnikov (Zenit) e Mário Fernandes (CSKA Moscou)

Meio-campistas: Gazinsky (Kuban Krasnodar), Golovin e Dzagoev (CSKA Moscou), Erokhin, Zhirkov e Kuziyev (Zenit), Zobnin e Samedov (Spartak Moscou), Alexey Miranchuk  e Anton Miranchuk (Lokomotiv Moscou) e Cheryshev (Villarreal)

Atacantes: Dzyuba (Arsenal Tula) e Smolov (Kuban Krasnodar).

TIME BASE E ESQUEMA TÁTICO

A equipe vive um momento de incertezas com relação a nomes e também na questão tática. Nos últimos seis jogos foram usadas cinco variações táticas, 5-3-2, 3-5-2, 3-6-1, 4-1-4-1 e 4-4-2. Acumulando cinco derrotas e um empate, com onze gols sofridos e apenas três marcados. Curioso é que mesmo com esse retrospecto desanimador a expectativa da Federação Russa seja alcançar as semi finais.

Porém, se o esquema usado é incerto, a filosofia de jogo não. Os russos têm um jogo físico, de postura defensiva que se vale dos contra ataques, das bolas longas e dos cruzamentos buscando o centroavante e meias que chegam de trás, por baixo e na bola aérea.

Apesar das mudanças táticas, a defesa tem quatro nomes que devem ser titulares. No gol, o experiente, mas de rendimento questionável em competições internacionais, Akinfeev. Pelo lado esquerdo, os experientes Granat (zagueiro) e Kudryashov (lateral). Pelo lado direito, podendo atuar como zagueiro ou lateral o veterano Ignaschevich (38 anos), no primeiro caso ele abre a possibilidade do brasileiro naturalizado russo Mário Fernandes atuar na lateral direita, na segunda hipótese, grandalhão do Spartak Moscou, Kutepov, assume a zaga. Zaga que é experiente, mas muito lenta, pode auxiliar a equipe ofensivamente nas bolas paradas, mas defensivamente se mostrou frágil contra ataques rápidos como Brasil e França. Ainda assim, a aposta do treinador é que a mudança para duas linhas de quatro auxilie os laterais repita os desempenhos dos jogos contra Turquia e Áustria quando a equipe sofreu apenas dois gols.

No meio campo as únicas duas certezas são Golovin, hoje o craque da equipe, atuando como elo de ligação entre a defesa e ataque, tendo a força e qualidade necessárias para chegar com força ao ataque e auxiliar na proteção da defesa e o experiente Zhirkov (aquele mesmo que jogou no Chelsea) que atuando aberto é fundamental na criação pelo lado esquerdo, também sendo importante na recomposição. 

Jogando à frente da zaga a tendência é que jogue o meia do Spartak Moscou, Roman Zobnin, que atua mais adiantado no clube, mas tem bom poder de marcação e será o responsável pela proteção. Pelo lado direito, o experiente Samedov larga na frente, também pela capacidade de auxiliar na marcação tanto pelo lado de campo quanto por ser capaz de compor como meia central dependendo da necessidade, com Cheryshev e principalmente Miranchuk aparecendo como opções mais ofensivas por ambos os lados. O segundo pode inclusive atuar por dentro e tem boas chances de ser titular. 

A criação dependerá do esquema usado, no 4-1-4-1 o meia Dzagoev será responsável pela criação ao lado de Golovin, mas com responsabilidade de compor a linha no processo defensivo. Já o 4-4-2 é mais flexível, podendo ser um 4-4-1-1 com o Dzagoev sendo responsável pela armação, mas também para fazer uma espécie de segundo atacante, se aproximando do homem gol, Smolov. Caso a escolha seja por mais um homem de frente a opção é por outro jogador alto, Dzyuba e o jovem Chalov, que corre por fora. Alexey Miranchuk também pode desempenhar as funções de Dzagoev. 

O ataque sofreu grande baixa no mês de março quando perdeu Kokorin (Zenit) com uma ruptura dos ligamentos cruzados, Kokorin era o vice artilheiro do campeonato no momento da lesão. Agora a missão fica com Smolov, que apesar da altura e força consegue se virar bem longe da área e foi o vice artilheiro do último campeonato russo com 14 gols marcados e 6 assistências. Dzyuba que é um gigante de 1,96m aparece como opção limitada tecnicamente, mas importante na bola aérea.

O time base deve ser: Akinfeev, Ignashevich (Mário Fernandes), Kutepov (Ignashevich) Granat, Kudryashov, Zobnin, Golovin, Dzagoev (Miranchuk), Samedov, Zhirkov e Smolov.

DESTAQUES

Golovin Fonte: Goal

O grande nome da equipe é a jovem estrela do CSKA Moscou Aleksandr Golovin. Ele é o jogador mais criativo de um meio campo de poucas ideias e se destaca pela intensidade de jogo, capacidade de condução de bola e chegada de trás, algo que o coloca na mira dos times da Premier League como Arsenal e Chelsea. O centroavante Smolov e o jovem Alexey Miranchuk (Lokomotiv Moscou) podem surpreender. Além do experiente Dzagoev, que aos 27 anos, já foi apontado como possível estrela em outros tempos, mas acabou não se tornando o que dele se esperava, porém, ainda goza de prestígio no CSKA Moscou e na seleção sendo um dos poucos jogadores criativos do elenco. 

FASE DE GRUPOS

Apesar da péssima sequência nos amistosos, com a seleção há quase um ano sem vencer, a tabela da Copa acabou sendo positiva para a seleção russa. Em um grupo ondea teoricamente é a terceira força (considerando o momento vivido por Salah na seleção egípcia), a estreia contra o adversário mais fraco da chave (Arábia Saudita) pode ser importante para dar ânimo à torcida e elenco, além posicionar a equipe com ótima hipótese de classificação na partida contra o Egito na segunda rodada (principalmente se o Uruguai vencer o Egito na estreia). 

A sorte também pode sorrir para os russos no duelo contra o Egito exatamente por causa da incerteza da condição física do grande destaque do rival, já que Salah ainda se recupera da lesão no ombro sofrida na final da Liga dos Campeões. Essa combinação de resultados classificaria os donos da casa com uma rodada de antecedência. É óbvio que esse cenário é extremamente otimista principalmente se considerarmos o desastroso processo de preparação da seleção que chega à Copa sem uma equipe pronta. Mas o fator torcida, o acessível adversário da estreia e a incerteza do seu grande adversário pela segunda vaga no grupo podem fazer com que os russos avancem.

Por Gil Costa



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