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Como há muito não se via





(Alexandre Vidal/Flamengo)

"Ooooooooo! Vai pra cima deles, Mengo! WILLIAM ARÃO!"

Essa foi a última coisa que cantei antes de sair do estádio. Isso porque no dia anterior um amigo me incentivava a continuar fazendo o exercício de socos na aula de Muay Thai aos gritos de:

"PENSA NO ARÃO! PENSA NO RODINEI!"

Esse era o nível de empolgação da torcida do Flamengo ontem.

O Flamengo ontem jogou tudo que não jogou esse ano.

Cheguei no Maracanã uma hora antes. A confiança na vitória era grande. Em jogar bem, nem tanto. O time de Abel até agora é extremamente irregular e iria a campo de novo sem Arrascaeta. No mais, o comentário de Tim Vickery de que aquela era a LDU mais forte desde a campeã da Libertadores me fez ficar um pouco apreensivo.

Mosaico de novo, daqueles que você tá dentro mas não vê o que tá se formando. Arquibancada animada. Parecia bom.

Rola a bola e nos primeiros 5min de peleja quem a tem são os equatorianos. Pra um lado, pro outro. O Flamengo aperta e em uma bola pressionada, Gabriel tem a oportunidade mas chuta prensado. Segundos depois, Léo Duarte dá mole e a bola sobra pra equatoriano na frente da área que perderia a única oportunidade da LDU de ficar a frente no placar.

Eis que o Flamengo começa a jogar. Bola sai do goleiro em tiro de meta e toca-se na saída. De repente, eu lá de cima, só vi o clarão enorme aberto após passe de Bruno Henrique a Renê. Dele a Diego, do 10 ao 7. 1x0 Flamengo.

Dali pra frente o jogo acabou e o Flamengo faria sua melhor partida desde a Era Barbieri. Dono do Maracanã, surpreendeu a todos que conhecem Abel. Ao invés de se fechar, foi pra cima com tudo. Amassou.

O Flamengo fez diferente e abriu um 442 com Diego e ER7 nos lados. BH e Gabriel centralizados mas com o primeiro vindo mais pro lado. Controlaram a bola, rodaram o campo todo, atacaram com contundência atrás. A LDU ajudou com uma marcação sem pegada e que não encaixava. Só faltou matar o jogo no primeiro tempo. Perderam uma infinidade de gols. Gabriel perdeu sem goleiro após enfiada magistrado do camisa 7, com uma atuação de gala.

Mas uma palavra define o Flamengo ontem.

Fome.

O time tinha fome. Perdia a bola e recuperava logo assim. Entrava em todas as divididas, ganhava todos os rebotes e a LDU não conseguia ficar com a bola. Ficou atordoada. Enquanto isso o Flamengo jogava como sempre queremos, mostrando o único efeito realmente esperado pela chegada de Abel. Se raça fosse quesito de nota, ontem a nossa seria 11.

Pausa. Mais uma vez há de se ressaltar o ruivo do cabelo de fogo que veste a 8 e é dono do meio de campo. Que partida. Mais tarde sairia ovacionado como há muito não via.

PAUSA.

A massa ontem caprichou. Com várias torcidas punidas, só uma bateria havia na arquibancada. Já falamos aqui várias vezes de como as organizadas Rubro-Negras são divididas e disputam espaço no Maracanã, fazendo o canto ficar fragmentado. Ontem, só havia um e o canto foi uniforme.

Não sei se por isso ou se pelo gol aos 7min e atuação do time, mas ontem a torcida foi irretocável no primeiro tempo. A cantoria e a festa foram tamanhas que aos 24min já estávamos mortos de cantar. A voz já tinha ido embora mas a massa continuava cantando. 

Do meio pro final do primeiro tempo, assim como o time, a massa deu uma diminuída. E foi nessa desligada que a LDU teve a oportunidade do jogo. Diego fez pênalti imbecil, juvenil ou qualquer outro adjetivo. Aos 45, com toda a tensão da massa nas costas, Diego Alves salvou a pátria rubro-negra evitando que um jogo fácil virasse complicado. 

Explode nação! A massa atrás comemora como um gol e sai o grito natural de "DIEGO ALVES!" e o clássico "PONTE QUE PARTIU! É O MELHOR GOLEIRO DO BRASIL" que não ouvia no Maracanã.

Na verdade, cabe aqui um parentese. Quem costumava ir ao Maracanã antigo sabe que a torcida costumava cantar o nome de todos os jogadores antes dos jogos. Faz 2 anos que as organizadas pararam com a tradição por conta das demissões do time. O grito pro goleiro ontem ganha ainda mais significado.

Ontem, também como há muito não via, a empolgação era tanto que passamos o intervalo todo cantando. A noite era nossa.

E o segundo tempo continuou assim. Flamengo mandando, sem ameaças do adversário e com a massa empolgada. Só faltava o gol do mais novo membro da massa. 

Aos 20min, não faltava mais. Lançamento de Everton Ribeiro, pivô de Bruno Henrique e chute com fúria de Gabigol.

Explode a massa e a sintonia. Comemoração entusiasmada, com personalidade e a arquibancada inteira levantada os punhos como 9 rubro-negro. Resultado garantido. Sensação nítida de 3 pontos na caixa.

E parecia mesmo que tudo daria certo. 10 minutos depois, Uribe entrou no lugar de Bruno Henrique com dores na mão. Foram necessários alguns segundos e dois toques após lançamento de Renê e escorada de William Arão para fazer o 3x0. O jogo já era tão fácil que eu mais fiquei olhando as comemorações do que realmente gritei gol. Tudo nosso.

2 minutos depois, Abel tira Cuellar para evitar que tomasse outro amarelo. Se fôssemos comportados, levantaríamos para aplaudir. Mas como não somos e levantados sempre estamos gritamos e como nossa voz. O camisa 8 saiu ovacionado, como há muito não via. Me arrepiei inteiro quando o grito de "É CUELLAR!" ganhava a arquibancada. A gente estava há tanto tempo sem gritar pelos os nomes que demorou pra sair o ritmo certo da música. Mas não importava.

Assim como pouco importou o pênalti cometido por Trauco ou a lei do ex que fez Cristian Borja marcar o 3x1. Se não fosse ela, D. Alves certamente teria pego.

Noite de gala. Daquelas pra quem viu guardar na memória. Foi tão fácil que como há muito não via, todos saíram tranquilos, sem gritos ousados. 

Como há muito não via, o Flamengo jogou muito e jogou com raça. Nos últimos tempos quase sempre era um ou outro. Ontem fomos soberanos, mandamos, abusamos, e a sintonia com a arquibancada foi perfeita. Vitória pra lembrar e colocar no manual de noite perfeita no Maracanã. Um atropelo. 

Desde 2010 não ganhávamos dois jogos seguidos na Libertadores e já na próxima rodada, em casa, podemos já praticamente garantir classificação.

E mais. Jogando como Flamengo, lutando como Flamengo, ganhando como Flamengo. Como há muito não se via. Como sempre sonhamos.

ME ILUDE MAIS, POR FAVOR!

Se jogar assim sempre, o que acho improvável mas rezo pra Zico que aconteça, já vou começar a resolver se fico em hotel ou em hostel em Santiago no fim do ano.

No mais, 
Saudações Rubro-Negras

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