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Flamengo sobrenatural



Termina o jogo e só vem uma coisa na cabeça: Vitória de campeão. Ontem o Flamengo venceu o Fortaleza por 2x1 em uma virada improvável, e segue na sua toada em direção ao heptacampeonato que, já podemos dizer, está muito próximo. Mas ontem foi diferente. Não ganhamos na bola, na jogada ensaiada,nem nada. Jesus conseguiu mais uma milagre: voltar o Flamengo sobrenatural.

Eram 5 desfalques entre os titulares. Dois desfalques reservas. Em campo, três pimpolhos do futebol profissional. Aos 10, um deles saiu pra entrada de Piris da Motta que fez Gerson se deslocar para a beirada. O meia, porém, fazia um jogo muito abaixo que evidenciava seu cansaço acumulado. Foi substituído no intervalo, fazendo com que no segundo tempo o ataque do Flamengo fosse formado por Gabigol e mais três garotos.

Pra piorar, o Flamengo fazia um jogo terrível de modo geral. Primeiro tempo truncadíssimo, quase sem alternativas. O rubro-negro em casa se irritava, porque o padrão já ficou muito alto. 

O início do segundo tempo foi animador. O Fla pressionava e amassava o Fortaleza, mas ainda sem criar chances de gol. Quando de repente...

Eu ontem me senti vendo o Flamengo comum, que vi nos últimos 20 anos. Fora de casa, jogando supermal mas ainda assim indo pra cima. Saindo do trabalho na hora do jogo e morando longe, me vi obrigado a ter o rádio como amigo e, obviamente, sentia o jogo com muito mais emoção do que ele realmente tinha.  No início do segundo tempo começava a me animar quando a voz de Luis Penido me esfaqueia com a notícia: pênalti para o Fortaleza. Antes dos tempos de premier e links online, perdi a conta dos jogos ouvidos no rádio que tinham o mesmo roteiro.

Dali, no banco do ônibus, ateu que sou, comecei a rezar. Mas não deu. Fortaleza 1x0.

E a primeira mensagem nos grupos de whatsapp rubro-negros era de um pessimismo claro e evidente. Ia ser um parto virar o jogo.

E foi. Mas conseguimos.

Porque o Flamengo jogou bem? Não.

Provavelmente porque o contrato voltou.

Existia uma lenda antiga que dizia que o time da Gávea tinha um contrato com o capeta. Eram tantos lances de sorte, gols no final, e lances inacreditáveis a favor, que os rivais diziam ter o Flamengo um acordo sobrenatural com o carmurião. E eu sempre acreditei que tivesse mesmo.

Mas nos últimos três anos pelo menos ele parecia em período de licença. Ontem voltou com tudo.

Primeiro no penalti completamente fortuito achado por Rodrigo Caio. A regra é horrível? É. Mas ontem jogou ao nosso favor. 

Depois na não defesa do penalti horrível cobrado por Gabigol. Ela passou por baixo do goleiro. 1x1. Isso aos 38 do segundo tempo.

Dali em diante o Flamengo apelava pro Cucabol. Ligação direta, chuveiro e lateral na área. Cheio de dificuldades, era o que dava pra fazer. E deu.

Aos 45 do segundo tempo, em lateral cobrado por Renê (jogada tentada a exaustão com Abel, sem nunca ter tido sucesso), a bola pinga na área. Victor Gabriel, tentativa aleatória que vinha fazendo um jogo terrível,  joga mais ainda pro meio da área. 

E ali, no meio da zona do agrião, estaria o garoto predestinado. Reinier, 17 anos, que foi alvo de uma disputa gigante entre Flamengo e CBF, que vinha fazendo um jogo terrível até então, apareceu sozinho no meio da área pra pôr de cabeça no fundo do barbante. Flamengo 2x1 Fortaleza. O contrato está de volta.

Vitória de time campeão. Daqueles em que se vence quando joga mal e continua mantendo a distância de 8 pontos em relação aos vice-líder Palmeiras. Daqueles que provam que nem os desfalques, nem jogar fora de casa com campanha da torcida rival, nem saindo atrás o time de Jesus será derrotado.

É óbvio que racionalmente se vê logo a entrega do time em busca do gol e ali se acha o segredo da vitória. Mas pra mim, das duas uma: Ou ter Jesus no banco fez a reza ficar muito mais braba, ou o capeta viu Jesus ali no banco e quis pra ele um pouco do protagonismo de volta. De todo modo, que sigamos assim, com todas as forças naturais e sobrenaturais do nosso lado.

No mais, Saudações Rubro-Negras. 

(imagem: Alexandre Vidal/Flamengo)

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