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Guerreiros de Condá

A vida. Ah, que danada ela é. Nos prega peças assim, quando eu, você, todos nós menos esperamos. Não há como não sentir o peso de uma tragédia que vem como uma âncora e que te leva ao fundo do poço de tanta tristeza.

Eu, Patrick Silva, colunista do Figueirense aqui no Linha de Fundo, precisava, necessitava, e até me sentia na obrigação de parar alguns minutos, sentar e escrever o que hoje sinto e sentimos.

Garotinho sozinho e desolado. A personificação do mundo neste fatídico dia

Tantas vezes diante do sucesso esplendoroso da Chapecoense, me fazia cabeça dura e não queria admitir que eles se tornaram na raça, na vontade, um dos clubes mais organizados e bem planejado do futebol catarinense, e até brasileiro. Porém, no fundo, eu os admirava. Os tomava de exemplo e queria que o meu time tivesse a competência e se tornasse gigante de alma e espírito como era a Chapecoense.

Entre os vitimados, estava Cleber Santana e Kempes que jogaram em Avaí e Joinville respectivamente, e me fizeram chorar tantas vezes pelos gols que meu time levava deles. Hoje, eu voltei a chorar por causa desses caras. Chorei pela morte, mas queria muito que fosse por ter levado tantos outros gols.

Delegação da Chapecoense antes de seu último voo

Faleceu no voo, o presidente da Federação Catarinense, Delfim de Pádua Peixoto Filho. Personagem de tantas polêmicas, nestes mais de 30 anos presidindo a FCF, Delfim revolucionou o futebol de Santa Catarina. Queira ou não, o futebol de catarinense perdeu uma de suas maiores figuras e um dos seus maiores defensores. Vá em paz, Doutor!

No avião com a delegação da Chapecoense, também morreram alguns jornalistas. Jornalistas esses que honraram com brilhantismo suas profissões até o último segundo de suas vidas. Eu, como a equipe do Linha de Fundo, sonho em ser jornalista. Sonho e serei gigante que nem esses caras que caso não fosse essa tragédia, poderiam ser meus colegas de trabalho ou até mesmo meus chefes num futuro que agora está infinitamente longe. Esses 21 jornalistas se foram, mas ficam aqui como inspiração.

Esse sombrio 29 de novembro de 2016 nunca será esquecido por mim, por você, pelos torcedores da Chape, e principalmente pelos famiiares das vítimas. O time de Deus acabou de ganhar elenco, comissão técnica, presidente e uma equipe de jornalismo.

O que nos resta agora? Não sei. Talvez agradecê-los. É difícil pensar em algo nesse momento. Esse humilde texto é minha forma de solidariedade e agradecimento a esses homens mesmo sabendo que nada vai devolver a vida à eles. Obrigado, Chape! Obrigado, jornalistas! Que vão juntos e descansem em paz.

Patrick Silva | @figueiradepre

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