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Noite mágica em Torino

No ataque pelo lado direito, quase da intermediária, Birindelli cruzou, Zalayeta pegou de primeira e fez o gol. Lichsteiner pela esquerda, fez um cruzamento para Tevez. O argentino girou, bateu fraco de esquerda, Ter Stegen bateu roupa e a bola sobrou pra Morata, que pegou o rebote e fez o gol. Esses haviam sido os últimos gols da Juventus contra o Barcelona na história recente.

O primeiro gol foi em 22 de abril de 2003, pelas quartas da UCL de 2002/2003, ele nos garantiu a classificação. Eram outros tempos, não existia um domínio mundial de duas equipes e, se existisse, a Juventus poderia ser colocada entre uma delas, dado o histórico recente do campeonato. O segundo, foi o gol de empate na final de 2015, mas o resultado final vocês lembram.

Esses dois gols eram os últimos gols da Juventus em cima do Barcelona até ontem (13) onde o mundo se rendeu a uma Juventus que renasceu das cinzas desde o calciofarsa. Tudo bem, chegamos na final há dois anos, mas essa geração atual de até uns 18/19 anos nunca viu a Juventus se impor da forma como foi ontem contra um time que dominou os últimos 15 anos na Europa.

Allegri não decepcionou e simplesmente repetiu o trabalho realizado nos últimos tempos. Entrou com a escalação que qualquer bianconero um pouco mais atento sabe de cor. Esse foi o início de uma noite que a torcida merecia.

Mosaico da torcida indicava que era o momento. Foto: Juventus.com
Confesso que após o jogo fiquei vendo as entrevistas dos técnicos, os gols repetidos, depois continuei vendo os melhores momentos com narrações em inglês, italiano e português. Fui dormir pensando no que eu tinha acabado de ver. Realmente há uns nove anos não conseguiria apostar em uma partida dessa.

O time atuou de maneira magistral. Os onze titulares fizeram aquilo que se esperava deles. Alguns dirão algo contra Higuain. Tudo bem, eu entendo, mas o trabalho tático realizado por ele também há de ser valorizado. Vi gente o comparando com Morata. Olha... Com todo respeito que Morata merece, peguem os números de gols de um e de outro. A resposta estará na sua frente.

Tenho que dar meus parabéns ao Marotta e ao Nedved pela grande contratação de Dani Alves. O brasileiro teve uma atuação de gala na partida de ontem (juntamente com Alex Sandro – pra mim, o melhor jogador de linha da Juventus nesta temporada). Sua contratação já teria bastado por ontem. Dani utilizou toda sua bagagem, conhecimento dos seus antigos companheiros, pouco subiu ao ataque, pois sua tarefa não foi das mais fáceis: Marcar Neymar, que do trio MSN é aquele que vive melhor fase.

A partida de Giorgio Chiellini, bandeira suprema bianconera, ontem foi absurda. Não perdeu uma bola, chegou dividindo tudo o que precisava e ainda marcou um gol. A partida de ontem nos fez pensar se o resultado de 2015 poderia ter sido diferente se ele tivesse jogado. Isto é passado. Recado para Allegri: Não precisamos mais de Chiellini no Campeonato Italiano. Temos Bonucci, Barzagli, Rugani e Benatia que podem muito bem dar conta do recado. Preserve Chiellini e o deixe bem para Champions (seja lá quantas partidas mais poderemos ter – que sejam mais quatro!).

Alex Sandro, Pjanic e Dybala comemoram com Chiellini. Foto: Juventus.com
Parece que o mundo conheceu ontem Paulo Dybala. Tem aqueles que conheciam o argentino de nome, aqueles que jogavam FIFA 2017, aqueles que não faziam a menor ideia da sua existência e aqueles que sabem do potencial de La Joya. A felicidade nos dois magníficos gols de Dybala foi contagiante. Confesso que quando Paulo bateu de primeira para marcar o segundo gol me emocionei. Sei que nada estava ganho ainda, mas passou um filme de tudo aquilo que vivemos em um passado recente. Parabéns, Dybala!

Se tem alguém que merece ganhar esta UEFA Champions League 2016/2017 este é Gianluigi Buffon. Óbvio que mesmo a Juve tendo uma partida perfeita (como a de ontem) a força do Barcelona faz com que Buffon seja acionado. Ele foi. Ele defendeu um chute de Iniesta que era um gol. O gol de empate catalão. Mas Buffon, nosso super-herói, estava lá. Após sua defesa saiu o segundo gol de Dybala. Tudo escrito.

Após toda a emoção, temos que ter a mente no lugar. Demos um ótimo passo, mas infelizmente temos mais um jogo. O Barcelona tem jogadores envolventes que já deram mostra do que são capazes. É bem possível (e provável) que tomemos gols na partida de volta. Isso não nos faz perder o status de melhor defesa do mundo. Temos que jogar da mesma forma que jogamos ontem. Suportar os momentos difíceis, sofrer e fazer o Barcelona sofrer. Serão sete longos dias até a volta.

Todos os comentaristas falaram, todos falaram no Facebook, Twitter, Instagram, bate papo da Uol e etc., que a Juventus não é o PSG. Óbvio que não, a história diz quem somos. Se a história estava ao nosso favor ontem, ela tem que estar ao nosso favor na semana que vem, mas com humildade. Humildade em trabalhar e merecer o resultado no Camp Nou e voltar com a classificação para mais uma semifinal de UCL. Para que a noite de ontem não vire o prelúdio da tragédia, tal como com os parisienses. O Barcelona merece respeito. A Juventus merece nosso respeito!

Toque de chapa de Dybala para o primeiro gol. Foto: Juventus.com
Até a partida de volta teremos um compromisso contra o Pescara, próximo sábado (15) pelo Campeonato Italiano. O time do Mar Adriático é o lanterna da competição e já está virtualmente rebaixado. Allegri já confirmou que iremos com um time bem mesclado, para dar descanso aos jogadores da partida de ontem. Eu entraria com um time 100% reserva, parecido com: Neto, Lichsteiner, Rugani, Barzagli (Benatia), Mattiello; Marchisio, Sturaro, Rincon, Lemina, Asamoah; Kean (se estiver em condições físicas). Acredito que Allegri acabará colocando um ou outro titular.

Pés no chão para que a magia bianconera se repita na Catalunha.

Fino alla fine, FORZA JUVENTUS!

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