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Novato, mas calejado! Conheça um pouco mais do Girona, o mais novo integrante da LaLiga

Camisa comemorativa do acesso (Foto: Girona FC)



Neste mês de agosto, boa parte dos fãs brasileiros de futebol tomaram conhecimento do Girona FC. A contratação da revelação vascaína Douglas Luis por parte do Manchester City e seu imediato repasse ao humilde clube espanhol situado na região da Catalunha pode ter intrigado um pouco alguns desavisados, mas no fim todo esse quebra-cabeça nem é tão cabeludo assim. E você vai entender isso.

A história do clube começaria a mudar em 2015, após anos de batalha na divisão de acesso de seu país e mergulhado em grave crise financeira poderia levar o clube a concordata. Foi graças a um acordo conquistado por Pere Guardiola, irmão de um certo homem chamado Pep, junto a TVSE FÚTBOL, que com a compra de 80% das ações do time, permitiu um aporte financeiro que tirasse o Girona da lama, financeiramente falando. Em sequência a essa operação, Pere foi nomeado como “assessor externo”, o que na prática o fez o “cabeça” do futebol na equipe catalã, estreitando relações com o Manchester City, que já contava com nomes como Txiki Begiristain no seu departamento de futebol, vindo de um trabalho no próprio Barcelona como diretor esportivo, além de ser amigo de longa data de Pep, tendo mesmo jogado nos Culés na mesma época que o então volante e futuro treinador revolucionário.


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Os irmãos Pep e Pere Guardiola (Foto: Reprodução do Twitter)


O time manteve o treinador da última campanha antes da parceria, a 2014/15, onde contrataram Pablo Machín, um treinador que, apesar das dificuldades financeiras, fez uma belíssima e surpreendente campanha, ficando em 3º e batendo na trave pelo acesso, deixando ótima impressão, muito embora esta não tenha sido a primeira nem a última vez que o clube passou perto da glória da primeira divisão e ficou pelo caminho.

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Escudo do extinto UD Girona, que deu origem ao Girona FC (Foto: Wikipedia)

Fundado em 1930, após a dissolução do UD Girona, trocou o uniforme amarelo e azul do antigo time pelo modelo rojiblanco, modelo que é usado até hoje. Após seus primeiros anos jogando a segunda divisão da Catalunha, conseguiu pela primeira em 1935 o acesso a segunda divisão nacional, e em sua primeira campanha, ficou em primeiro no seu grupo, se classificando à etapa final de acesso a divisão de elite do país, junto com Celta de Vigo, Zaragoza, Arenas Club, Murcia e Xerez, mas ficou em último e não conseguiu ascender. Pra piorar, logo em seguida veio a guerra civil espanhola e o clube catalão ficou fora de competições nacionais. Digamos que este tenha sido um longínquo prólogo do que os anos de 2013, 2015 e 2016 reservariam de desastre ao torcedor rojiblanco.

Neste espaço grande de tempo entre o fim da guerra civil e os últimos anos o time teve uma trajetória modesta, alternando entre segunda e terceira divisão e, precisamente num período em que fincou pés na terceira, entre 1959 e 1977, marcou dois atos simbólicos na sua história: o processo de construção e inauguração Del Estadi de Montilivi, entre 1968 e 1970, e ainda vencendo um torneio local chamado Troféu Finalíssima, que reuniu os vendedores de um torneio de clubes da terceira divisão da catalunha chamado Trofeu Moscardo, com 12 edições entre 1958 e 1969. O Girona venceu um clube chamado Europa nessa espécie de unificação das taças feita em 1971, troféu que ainda é muito importante para a comunidade gironista.

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Estadi de Montilivi em 1970, ano de sua inauguração (Foto: Site "Estadios de España")

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Ingresso retratando o então novíssimo Estadio do time, no mesmo ano de seu principal troféu até hoje, o Finalíssima (Foto: Site Estadios de España)

Fato é que daí pra frente, com a consolidação das divisões da Espanha em Primera, Segunda, Segunda B e Tercera, o Girona ficou um bom tempo oscilando entre a Segunda B e Tercera. Como destaque nessa entressafra, fica a temporada 1991/92, onde o time dependia apenas de si para subir a Segunda, mas perdeu fora de casa para o Salamanca na última rodada. Ou seja, bateu mais uma vez bateu na trave. Depois disso, seguiu nos escalões inferiores até conseguir dois acessos seguidos entre 2006 e 2008 e finalmente jogar a Liga Adelante.

É aqui que começa uma sequência de doloridos quases. Após quatro temporadas mornas nesta divisão de acesso, chegamos na temporada 2012/13, onde mesmo em uma situação financeira difícil, o clube briga pelo acesso de maneira surpreendente pelas mãos do treinador Rubi, fica em 4º, disputa os playoffs de acesso mas, após bater o Alcorcón nas semis do acesso, perdeu a final para o Almería e não conseguiu subir. Após mais esse fracasso, passou a outra temporada com os mesmos problemas financeiros, fazendo desta vez uma campanha morna.

Com Pablo Machín nos bancos desta vez, a temporada 2014/15 foi mais uma em que o clube bateu na trave pra subir a então Liga BBVA (atual LaLiga), mas graças a um gol tomado nos acréscimos para o Lugo perdeu a 2ª posição que dava acesso direto e teve que mais uma vez jogar os playoffs, onde foi eliminado nas semis pelo Zaragoza pela regra dos gols fora de casa de uma maneira incrível: fazendo 3 a 0 fora de casa e conseguindo perder em seus domínios na volta por 4 a 1!

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O homem por trás das agruras e alegrias dos rojiblancos nos últimos anos: Pablo Machín (créditos na imagem)

A temporada 2015/16 começou esperançosa com as dívidas sanadas e o começo da ajuda do Manchester City, com o empréstimo de jogadores e até mesmo a ajuda em algumas contratações definitivas. Mas o fim da temporada foi uma dor ainda mais dolorida que a dos últimos anos, pois uma vez classificados em 4º lugar, foram mais uma vez aos playoffs, dessa vez passando pelo Córdoba nas semis, mas caindo na final para o Osasuna. Depois de todo o upgrade do aporte dos citizens, o Girona de Pablo Machín parecia mesmo o time do quase. Até que veio a temporada 2016/17 e o fim da agonia de 1936, 2013, 2015 e 2016.

Desta vez não houve tanto sofrimento. Depois de uma campanha sempre próxima do topo, um empate em 0 a 0 contra o Zaragoza no Estadi de Montilivi assegurou o segundo posto a uma rodada do fim do campeonato e o consequente acesso direto que o torcedor tanto sonhou nos últimos anos, e que lá nos anos 30 já era um desejo que o time não pode realizar.

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Finalmente! (Foto: Site Trivela)

Um time de história sofrida e de inúmeros insucessos mostra um futuro promissor (especula-se até um interesse do City em adquirir 50% do time, mas não há nada confirmado ainda) e uma necessária casca, após bater tanto na trave, que pode ser crucial na sua inevitável escalada pela sobrevivência nesse primeiro ano de sua história na elite. Com nomes como Douglas, Marlos Moreno e Aleix Garcia, jovens cedidos pelo clube azul de Manchester, somado ao retorno do também citizen Pablo Maffeo, que fez parte da última campanha do acesso, o clube rojiblanco, com Pablo Machín firme e forte no comando, o time tem tudo pra mostrar que, apesar de novato, sabe o quanto sofreu pra chegar ao topo e deverá vender caro cada jogo, pelos atletas de 1936, por toda uma geração sofrida de torcedores que acompanhou sua saga enorme nesta década, e por uma camisa que, após ter passado toda uma existência à sombra de primos ricos como o Barcelona e o Espanyol, quer mostrar que chegou pra ficar. Este é o Girona FC!




*Mais detalhes do elenco desta temporada você irá conferir no Guia da LaLiga. Aguenta que ele já tá saindo do forno com as expectativas de todos os times do campeonato. Abraços, queridos!

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