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O Flamengo é inacreditável

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(Gilvan de Souza/Flamengo)

E se eu te dissesse que o Flamengo depois de três anos, era líder de um grupo de Libertadores depois de vencer um jogo de virada fora de casa...

E te dissesse que a zaga do time adversário, assim como o goleiro, era inteira de reservas...

E que esse time demitiu o técnico no domingo, e está há cinco jogos sem vencer...

E que no dia anterior ao jogo o Flamengo bateu o recorde de maior público em um treinamento na história do futebol...

E se eu te dissesse que o Flamengo saiu na frente com menos de 10min de jogo e continuou perdendo gols até pelo menos a metade do primeiro tempo...

Você ainda assim conseguiria afirmar com certeza que esse Flamengo iria vencer no fim do jogo?

Não. Ninguém diz. Muito menos o torcedor do Flamengo que já conhece seu time e sabe que principalmente quando está muito fácil a probabilidade de não dar certo é enorme.

Pois é. Mais uma noite de frustração no Maracanã. Ou melhor, nas cercanias e ao longo desse Brasil. Nos bares e nas casas ocupadas por rubro-negros espalhados por aí a fora o sentimento comum é de raiva. O torcedor do Flamengo já vê todo jogo esperando ficar com raiva desse time. A torcida mais arrogante e otimista do planeta virou um bando de botafoguenses deprimidos, principalmente quando envolve Libertadores.

Mas ao contrário da maioria, não acho que seja um problema de raça, de falta de vontade. Não só. Pra fugir um pouco dessa questão já tão falada nas crônicas esportivas, prefiro vir aqui para falar de um aspecto que dificulta qualquer análise sobre o Flamengo.

Tática.

O Flamengo é um time que pelo menos há quatro treinadores mantém os mesmos problemas. Não é possível que venha técnico, saia técnico, o time permaneça do mesmo jeito. É um time que com a bola não tem objetividade e não tem movimentação, e sem a bola demora muito para se recompor.

Nos últimos 10min de peleja, o Flamengo parecia um time de rugby. Sabe? Aquele esporte que você não pode dar um passe pra frente e portanto os jogadores se limitam a carregar a bola para a frente e quando dão o passe apontam apenas para o lado? Assim era a saída de bola rubro-negra ontem a noite. Tudo isso porque ou os meias estão muito distantes para receber passe de Cuellar ou os laterais não tem qualidade o suficiente para realizar a saída de bola.

E esse é um problema que já vem de outros técnicos. Porém, ele foi piorado com o 4-1-4-1.

Para jogar contra os times pequenos parecia ótimo. O Fla envolvia, entrava e goleava os adversários. Os outros campeonatos porém mostraram que o buraco era muito mais embaixo.

Passamos primeiro ao aspecto defensivo:

Nesse modelo, quando precisa se defender de um time que possui a bola a defesa rubro-negra até tem sucesso. Cada jogador ocupa sua faixa do campo e os espaços são preenchidos.

No entanto, quando o Flamengo tem a bola e a perde, o que acontece com mais frequência, a distância entre as linhas é enorme. Mais especificamente entre o 1 e o 4. Ou seja, entre Cuellar e os outros 4 meias da linha seguinte. Assim, fica o volante somado a dois zagueiros lentos para frear as estocadas de atacantes velozes, ainda mais quando os laterais rubro-negros já avançaram bastante. E mesmo quando a linha de quatro meias tenta voltar na marcação, isso ocorre de forma muito lenta pela característica dos jogadores. Até por esse motivo, Everton fará muito falta.

Passemos agora ao aspecto ofensivo:

De novo, primeiro com a situação que acontece menos vezes mas mesmo assim é importante. Quando o Flamengo recupera a bola na defesa e precisa contra-atacar. Por ser um time de muito toque e nem tanta mobilidade, a transição ofensiva do Flamengo é deplorável. Sem um pivô que faça bem o trabalho de segurar a bola lançada de trás para a chegada dos atacantes mais ainda. De novo, a perda de Everton é uma tragédia nesse sentido.

Já com a bola, o Flamengo tem outros problemas para resolver. É um time que cruza bolas demais na área, e na maior parte das vezes não tem nem bons cruzadores nem gente o suficiente para disputá-la pelo alto. 

Além disso, tanto Carpeggiani quanto Barbieri parecem ter percebido o problema da lenta transição defensiva rubro-negra e fazem com que a linha de defesa e Cuellar fique sempre postada muito atrás. O time fica descompacto e perde sempre as segundas bolas, não conseguindo fazer pressões nos fins das partidas que precisa vencer.

O esquema, criado para fazer caber todos os bons jogadores contratados ou surgidos na base não tem funcionado e tem feito com que todos pareçam maus jogadores. Praticamente todos os jogadores da linha de quatro tem jogado fora de suas posições e características, sendo Diego e Everton Ribeiro os mais sacrificados.

O camisa 7 que fez sucesso no Cruzeiro era lá um ponta-armador. Jogava pela direita, entrando pro meio podendo bater em gol e fazer passes verticais. Nesse esquema da gávea, ele vira um volante meia, com obrigações de vir buscar jogo com a defesa e voltar para marcar muitas vezes, quando está mais do que provado que não é um jogador tão dinâmico assim.

O camisa 10 passa por um problema parecido. Em 2016 e no início de 2017, período no qual vinha tendo excelente performance, Diego jogava próximo do centro avante, recebendo a bola de trás e entregando aos pontas ou mesmo chegando a área para finalizar. Após sua contusão, com a chegada de Everton Ribeiro, foi cada vez mais necessário que Diego voltasse cada vez mais para buscar a bola. O ex-Santos nunca se notabilizou por passes longos e sim por sua capacidade de conduzir a bola e finalizar. Voltando muito, o time perde tanto dinamismo na saída de bola quanto poder de finalização na frente. Além de desgastar o camisa 10 que é obrigado a estar no início e no fim de todas as jogadas, aos 34 anos. 

Até os meninos ficam prejudicados pelo esquema. Tanto Vinicius Jr. como Paquetá claramente não estão com seu potencial físico totalmente desenvolvido, o que levanta sérios questionamentos sobre a preparação física no ninho do urubu. O 4-1-4-1 obriga os dois a terem um papel defensivo maior ainda.

Resultado:

Precisa-se de muito tempo para que esse esquema seja treinado e funcione, coisa que o Flamengo não tem. Os problemas permanecem há pelo menos dois anos e o time não evolui, acarretando resultados ruins e um sentimento frustrante nos rubro-negros. 

Não é só falta de raça. Diego talvez seja o maior símbolo disso. É claro que não tem jogado bem, que perdeu gols e penaltis importantes ano passado e deve ser cobrado por isso. Mas o camisa 10 não deixa de lutar em nenhum momento.

Algumas foram as cenas de cobranças, de jogadores exaltados ou reclamando de seus companheiros de time. Em dado momento Rever ficou pelo menos uns 15s com a bola pedindo para que alguém se apresentasse para receber.

E aí quando a sorte não ajuda e em dois lances seguidos a bola é salva em cima da linha de maneiras diferentes, a coisa fica complicada. Com nem a sorte ajuda, o Flamengo termina o primeiro turno da Libertadores perdendo a oportunidade de disparar no grupo e dependendo de uma vitória para conseguir alívio na disputa pela classificação.

O Flamengo precisa de mudanças urgentes no time, porque a história se repete em praticamente todos os jogos importantes. Mas Barbieri parece engolido pela panela de jogadores mimados, descontentes em sair da peleja ontem mesmo. Enquanto isso, a diretoria banana é simbolizada por um presidente que se recusa a dar declarações sobre a partida porque "não entende de futebol."

Espero apenas que não seja mais um ano de vergonha na Libertadores, como o Flamengo está quase me deixando acostumado. Seja já qual for a causa dos fracassos, o rubro-negro carioca precisa remendá-la já. Ou isso, ou Eduardo Bandeira de Mello terminará a sua gestão como a esportivamente mais fracassada da história do clube e teremos mais um ano jogado fora.

No mais,
Saudações Rubro-Negras.

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