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O que fica de lição da Islândia nessa Copa?

Heimir Halgrímsson, o comandante de uma Islândia que deu tudo o que podia (Getty)

O sonho islandês acabou nesta terça, após derrota por 2 a 1 para uma Croácia que poupava alguns atletas pensando no seguimento da Copa. O gol de Perisic no finalzinho, desempatando o confronto, foi uma ducha de água fria em uma seleção que, sempre com os pés no chão, teimou em nos fazer sonhar.

Fato é que nenhuma seleção deve ter chegado tão perto do que pode praticar do que a Islândia. Toda essa geração que quase foi à Copa de 2014 no Brasil, foi à Eurocopa e agora finalmente jogou uma Copa do Mundo, na Rússia, é uma geração única, especial. Geração que ainda teve a participação da antiga referência Gudjohnsen entre os convocados de 2016, e que agora se moldou para Sigurdsson, nova referência técnica de uma Islândia que, em uma era cada vez mais "tática" no futebol, mostra o melhor futebol possível de um país com pouco mais de 300 mil habitantes.

O jogo serviu para mostrar a ampla diferença técnica em relação aos croatas, que tiveram mais a bola e, mesmo jogando apenas para o gasto, conseguiram a vitória. Precisando do resultado, de partir mais à frente em campo, a Islândia mostrou muitas limitações. Mesmo tendo em Sigurdsson um jogador capaz de ritmar uma partida e criar oportunidades para o time, a falta de apoio ofensivo o limita muitas vezes a optar pelo mais simples, um passe para cruzamento ou uma jogada para o pivô do centroavante, que nessa partida foi Finnbogason. Com pouco repertório, foi fácil para a Croácia dominar o meio-campo e encaixotar o maestro islandês.

O camisa 10 e craque do time não conseguiu brilhar como tanto se queria (Reprodução: futaa.com)


Desta fase de grupos ficam os destaques para Halldórsson e Halfredsson, gigantes no confronto contra a Argentina. O primeiro por defender um pênalti de Messi, e o segundo por negar todos os espaços possíveis ao já citado gênio argentino. A atuação contra a Argentina pode ser considerada uma espécie de legado dessa seleção islandesa para o amante de futebol. Enfrentaram, é verdade, uma seleção desfacelada, e que sabe-se lá conseguiu se classificar no grupo, mas mostraram todo o poder que pode emanar de uma aplicação tática e do entrosamento de um time que sabe o que pode antes de, aí sim, saber o que quer, e então dar o seu melhor, como o treinador Hallgrímsson afirma nesta frase, retirada deste link:


“Ficamos a um jogo de ir adiante, tivemos chances de ir às oitavas. Não podemos ficar mais desapontados que isso. Mas o mais importante é que podemos olhar para os olhos um do outro e dizer: fizemos tudo o que pudemos. Estou desapontado, mas acima de tudo, orgulhoso dos meus jogadores. Fizemos tudo o que podíamos. É a vida, é o futebol. um jogo bonito, mas, que, às vezes, pode ser duro”, afirmou.

Na mesma entrevista o treinador afirma que, nestes últimos seis anos onde a geração floresceu (ele já estava na comissão como auxiliar de Lars Lagerback, que abandonou o cargo após a ótima Eurocopa de 2016) o staff encontrou uma forma de trabalho, a implementou na seleção e os atletas se adaptaram com facilidade a estes métodos. Afirma ainda que o maior orgulho que ele tem é da seleção islandesa não tentar copiar ninguém na sua forma de jogar, mas sim de procurar tirar das próprias características dos jogadores a sua melhor performance.

Talvez seja um prenúncio de que essa mágica geração possa, quem sabe, seguir dando frutos? Fato é que é muito fácil acreditar no discurso de Hallgrímsson, pois os jogadores o dizem a cada movimento em campo nos últimos seis anos. É uma seleção que pareceu ter feito tudo o que podia, de quem é quase que condenável exigir mais do que já deram, mas que parece saber exatamente dos seus limites e o que pode querer à partir disso. Essa pode ser a grande lição que a Islândia deixa para todos nessa Copa. Em um futebol como o atual, onde os espaços são cada vez menores  e os detalhes fazem cada vez mais diferença, saber onde dar o próximo passo, tanto no campo quanto no extra-campo, é primordial.

Que a Islândia siga evoluindo, e que permita, em seu pragmatismo, os sonhos mais românticos para os amantes do futebol.

QUE SEJA UM ATÉ LOGO! (Reprodução: Twitter)


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