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Que desespero, amigo!

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(Max Rossi/Reuters)

Aflição e alívio são o nome desse jogo.

O Brasil foi a campo hoje com a pressão de ganhar. Precisava ganhar. Tinha que ganhar. Era a única opção.

Depois do empate com a Suíça, a vitória sobre a Costa Rica era vital para a classificação. Qualquer resultado do jogo entre os europeus do grupo poderia complicar a situação brasileira para a última rodada. Porém, era muito mais do que isso. O Brasil foi a última das favoritas da primeira rodada a estrear e decepcionou. Depois da Argentina ontem, a canarinho não podia se dar ao luxo de se igualar aos hermanos. Fora a pressão sobre Neymar, pela bola não jogada no domingo e todo seu comportamento. A seleção havia jogado mal contra a Suíça. Não podia fazer o mesmo hoje.

E assim foi a campo. Pressionado. O primeiro tempo se dividiu em duas partes. A primeira foi até os 30 minutos, com o Brasil extremamente lento. A equipe de extrema velocidade e troca de posição se tornava estática. A Costa Rica chegava em certos pontos a ter o controle da bola. O Brasil não conseguia infiltrar e de vez em quando tomava certo sufoco no contra ataque. Fagner tentava se adaptar a um nível de competição maior do que ele, William permanecia isolado na direita, Neymar fazia pouco. Era difícil.

Os últimos 15 minutos foram melhores, mas nem tanto. Chegamos mais, mas ainda assim no abafa. Neymar se tornou mais próximo da área e conseguia espaços nas costas da zaga. Chutávamos de fora e ameaçávamos assim, fazendo Navas pela primeira vez aos 41 minutos do segundo tempo. É pouco para quem quer ser campeão do mundo.

No intervalo, Tite já se mexeu. Colocou Douglas Costa no lugar de William. Mais agressividade e um ponta que trás a bola para o meio e consegue fazer ligações mais fáceis com o lado esquerdo, o mais forte da seleção brasileira.

Deu certo. Os primeiros 10 minutos do Brasil foram alucinantes. O Brasil conseguia entrar na área e nos bate-rebates a pelota sempre batia em uma das meias brancas que enchiam o meio da área. Foi assim em bola de Coutinho. Quando passou da zaga, Navas fez defesa espetacular em chute de Neymar e Gabriel colocou na trave.

Continuou pressionando. Não foram só os primeiros 10 minutos. O time tentava rodar a bola e não conseguia. Mais tentava nas jogadas individuais ou nas bolas na área do que trabalhando a pelota. Atenção para quantidade de jogadores da seleção brasileira que carregam muito a bola. São muitos jogadores rápidos, mas o jogo não é rápido. Muito por conta de nosso meio de campo.

No fundo, o Brasil tinha apenas um meio de campo: Casemiro. O camisa 5 por vezes ficou até bastante isolado. Era responsável por desarmar, cobrir, iniciar as jogas e fazer a ligação com o ataque. Isso porque Coutinho é um meia que na verdade é atacante e Paulinho era um centroavante. O ex-volante do Corinthians não faz parte da construção de jogadas da seleção. Ao invés de começar as jogadas de trás e infiltrar, ele apenas se posiciona na grande área, esperando a bola.

Até por isso, Tite o substituiu por Firmino. Um centroavante que por sua origem consegue também fazer a função de meia. Não é uma ideia para a titularidade, mas apresentou-se uma alternativa para jogos apertados.

Dos 20 minutos para frente, a Costa Rica literalmente se recusou a jogar. Seu técnico botava o time mais para trás e só buscava o gol em possíveis escanteios conseguidos vez ou outra. Na volta de um delas, Neymar perdeu a melhor chance do jogo. Abriu-se um clarão no bico da área e o craque pôs ao lado da trave, tirando tinta. Parecia que não ia dar.

Dali para frente, foi realmente no abafa. O camisa 10 claramente não era o seu melhor, com uma condição física que claramente o atrapalha. O time ia para frente de todo o jeito. Eram cinco atacantes em campo. CINCO: Coutinho, Neymar, Gabriel Jesus, Roberto Firmino e Douglas Costa. Aos 33, em mais uma rara jogada de contra-ataque, Jesus cedeu a Neymar, que teve duas chances para chutar e não bateu. Tentou driblar o zagueiro e sentiu o toque. Caiu. O juizão deu, mas o VAR o salvou. Reparem que o zagueiro tenta mas nem consegue segurar a camisa de Neymar.

Aflição.

Dali para frente, seria desespero total. Os amarelos vieram por reclamação para Coutinho e Neymar. O camisa 11 por sinal era um dos alicerces do time. Melhor nas tomadas de decisão. Melhor do que ele em campo, só Thiago Silva. O capitão tão contestado venceu todos os duelos, foi seguro e quando a bola era rebatido pelos costa-riquenhos, recuperava a bola com rapidez do centro avante.

No mais brasileiro dos ditados, resolvemos com tudo. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Depois de 5 minutos, entre a marca de 40 e 45, parada quase que exclusivamente pela cera, saiu o 1x0. Bola na área, Firmino ganhou. Gabriel ajeitou sem querer para Coutinho que entrou e fez. Exemplo para Paulinho. Meia que constrói, mas vem de trás e coloca lá dentro. Mereceu o gol, aquele que é o melhor jogador da seleção até aqui.

Alívio.

Com o gol aos 46 era só esperar o jogo acabar. Os acréscimos mostraram o que seria o jogo caso qualquer das bolas que quase entraram no jogo tivesse entrado. Brasil rodando a bola, com tranquilidade, e entrava na defesa da Costa Rica com facilidade. No último lance, Neymar fez 2x0. Acabou. Alívio para Neymar.

Por isso mesmo, discordo da tese de que o Brasil jogou mal. Pode não ter jogado bem, mas não foi uma má partida, pelo menos do final do primeiro tempo em diante. Mereceu vencer, tentou de todos os jeitos. Todas as seleções desta copa estão tendo dificuldades para penetrar defesas bem postadas. Aliás, isso tem contribuído para uma copa de poucos gols. Caso o 1x0 tivesse saído no final do primeiro tempo, teria sido uma goleada certamente.

Passo fundamental para a classificação e quem sabe pegar o embalo. No entanto, algumas mudanças aparecem como prováveis. Em jogos com a construção necessária, Paulinho simplesmente não serve. Sua escalação contra a Sérvia torna-se perigosa, pois se a Costa Rica joga com 5 na defesa, a Sérvia joga com 5 no meio. Por outro lado, Gabriel Jesus fez uma boa partida, mas Firmino parece oferecer mais opções. Se Jesus tem mais entrosamento com Neymar, Firmino tem mais com Coutinho, que hoje é o melhor jogador da seleção.

É um jogo de alívio, de contribuir para a tranquilidade da seleção. Vitória. Tomara que Neymar lave a alma e o ritmo de jogo vá contribuindo para a sua performance. Que o não-penalti seja mais uma lição para ele. E que seja o jogo para definir mudanças. A possibilidade de Douglas Costa, a possível alteração de Jesus e a necessidade de tirar Paulinho. Quem no lugar? Não sei. Isso é para Tite resolver. Que os deuses do futebol o ajudem e embalem o Brasil. Um jogo de alívio, para que não tenhamos mais tanta aflição.

Vai, Brasil!

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