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Inconstância

Foi difícil escrever esse texto. Não sabia por onde começar. De fato não sei o que acontece com o Clube de Regatas do Flamengo. A gente passa os sete dias da semana respirando Flamengo, lendo sobre Flamengo, conversando com os amigos sobre Flamengo, vai ao Maracanã ver e torcer para o Flamengo. A grande pergunta é: o que foi o Flamengo nesse domingo contra o Atlético Paranaense? Sinceramente, não sei. A gente tenta toda semana fazer o esforço de tecer um comentário mais lúcido possível, se desvencilhando o máximo das vaidades clubistas, mas está complicado. Ou os jogadores do Flamengo estão de sacanagem com a cara do torcedor - o que eu acho improvável - ou o time vem demostrando os mesmos defeitos que vem carregando há anos: treme quando vê uma camisa tão pesada quanto a sua e precisa decidir, continua sendo arame liso e a evidente inconstância de um elenco que já se mostrou não tão bom para suportar três competições, como já muito se falou que teria.

Foto: Carla Larini / O Fotográfico / Estadão Conteúdo)

O Flamengo já tinha um estigma de maldição jogando no Paraná, seja contra Coritiba, Paraná ou o próprio Atlético-PR. Não vencia o CAP na Arena da Baixada pelo Brasileirão há mais de 40 anos e vai continuar não vencendo. Perder é uma coisa, levar três gols em 20 minutos do vice lanterna do campeonato é outra completamente diferente. É também inadmissível uma derrota dessas levando em conta que o Flamengo tem um dos melhores e mais caros elencos do Brasileirão. Nem o mais pessimista torcedor do Flamengo poderia imaginar que a equipe retornaria para o Rio de Janeiro com um resultado tão negativo.

O Campeonato Brasileiro do Flamengo pode ser dividido em duas etapas: antes e depois da Copa do Mundo. Entre os pontos perdidos nos confrontos contra o São Paulo dentro do Maracanã, os reservas do Grêmio e o baile sofrido diante do Atlético-PR no último domingo, o desempenho do Flamengo pós Copa do Mundo é tão ruim que se contasse apenas os jogos depois do Mundial, o time de Maurício Barbieri estaria na décima posição. Além disso, antes da pausa para a Copa do Mundo, todos sabiam que o mês de agosto para o Flamengo seria complicado, momentos decisivos nas competições mata-mata e a luta para manter a ponta do Brasileiro com uma tabela complicada pela frente. No entanto, o time não escolheu priorizar nenhum torneio e justamente a competição menos importante para o torcedor é onde o Rubro-Negro tem mais chances.

A queda de rendimento do Flamengo na temporada levanta uma questão que vem sendo discutida entre os torcedores: chegou a hora do Rubro-Negro priorizar uma competição? Desde o início do ano se sabia que a equipe disputaria três campeonatos de certo peso de forma simultânea e o discurso da equipe sempre foi foco em todos. Na teoria as coisas funcionam desta forma e até podem ser assim, no entanto, na prática é muito difícil ir por esse caminho. Com o calendário brasileiro e a competitividade entre as equipes, jogar três competições como Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Copa Libertadores da América com a mesma intensidade pode ser suicídio. Perdeu a ponta do Brasileiro e agora está a quatro pontos atrás do líder, mas com um turno inteiro pela frente nada está perdido. Na Copa do Brasil, vai encarar o Corinthians, na semifinal, ficando há quatro jogos do prêmio de 50 milhões e a classificação antecipada para a Libertadores do ano seguinte. Na principal competição do continente, a situação é bem complicada depois de uma derrota em casa por 2 a 0 para o Cruzeiro.

Foto: Staff Images / Flamengo

Com tantos horizontes, chegou a hora do Flamengo apontar uma prioridade. Quem tudo quer acabando ficando sem nada. Cruzeiro, por exemplo, 
está bem na Libertadores e garantiu vaga na semifinal da Copa do Brasil. No Brasileirão, se mantém no bolo. Já o Grêmio caiu para o Flamengo na Copa do Brasil e perdeu o primeiro jogo das oitavas da Libertadores, mas dos males o menor, pode tranquilamente reverter a pequena desvantagem em casa. No Brasileiro também segue no bolo, menos optando por equipe mista na maioria dos jogos disputados. No Brasileirão, os rivais mais a frente, como Internacional e São Paulo, têm apenas esse objetivo o que os dá uma certa vantagem sobre os demais. Assim, depois do dia 29 de agosto o Flamengo muito provavelmente terá apenas dois objetivos, o que deixaria as coisas menos complicadas para se equilibrar, no entanto, vai precisar de força extra para tentar tirar a vantagem do Cruzeiro e avançar na Libertadores, competição que deveria ser prioridade do clube. Caso isso aconteça, o cerco vai estar ainda mais fechado, pois a dificuldade irá aumentar e a necessidade de apostar mais alto em pelo menos uma competição dobrará. O certo é que o torcedor não está afim de se contentar apenas com a Copa do Brasil, que apesar da alta premiação, entre as três em disputa é considerada a de menor expressão.

É lógico que vale mencionar as perdas sofridas na janela, mas pelo menos duas delas, Vinicius Júnior e Felipe Vizeu, eram sabidas há tempos. O primeiro, pouco mais de um ano, e o segundo desde o início da temporada. No mais, esse não é e nem foi o principal problema para a queda de rendimento do Flamengo e Barbieri vai precisar quebrar a cabeça para recuperar a equipe no Brasileirão.

Agora, o time encara uma boa sequência, onde deve somar o máximo de pontos possíveis. Abre o turno diante do Vitória, dentro de casa, na próxima quinta-feira (23), no Maracanã. Depois, vai a Minas para duelar com o América-MG. São dois jogos antes da grande decisão diante do Cruzeiro, pela Copa Libertadores da América e são dois jogos importantes para seguir forte na briga pelo título. Como Barbieri vai armar a equipe? Vai depender do que ele colocar como prioridade no momento.

No mais, saudações Rubro-Negras!

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