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O Fla-Flu do luto

Resultado de imagem para homenagem aos garotos do ninho

(Ricardo Moraes/Reuters)



Eu nem sei se eu queria ir no jogo ontem.

Eu não iria no Fla-Flu se tivesse sido sábado. Entreguei meu Sócio Torcedor na mão de um amigo e disse que só iria a jogo em março por motivos de "vamos aproveitar fevereiro pra polpar algum dinheiro pro resto do ano já que esse mês não vale nada".

Só que tudo mudou. Tudo ficou diferente depois do dia 8 de fevereiro de 2019, a última sexta feira, dia mais triste da história do Flamengo.

Ano passado, me despedi de Júlio César, Vinícius e Paquetá. Os caras que vi nascer aqui. Já me preparava pra me despedir de Juan em abril. Todos que vi por muito ou pouco tempo desfilando seu futebol no gramado sagrado do Maracanã.

Mas nada podia me preparar pra sexta. Perdi 10 ao mesmo tempo. 10 que não vi. E é por isso mesmo que dói mais.

Todos com sonhos. Sonhos jogados no lixo. Nas chamas. Consumidos. Não existem mais.

Crianças, da idade da minha irmã. 

Um final de semana de luto.

Na segunda, um ingresso me foi oferecido. Eu não queria ir no jogo.

Mas se tem uma coisa que ir a estádio te dá é o sentimento de coletividade. Ali são os meus.

E por mais que todo mundo tenha se comovido com a tragédia dos garotos do ninho, ninguém sente como a gente.

Fui ao jogo pra chorar com os meus. E chorei.

Na música, nas bandeiras dos garotos.

Ao gritar seus nomes no Maracanã, e a realizar seus sonhos. Arthur, Átila, Bernardo, Cristian, Pablo Henrique, Victor Isaías, Gedson, Rykelmo, Samuel e Jorge. Bem alto, mesmo que eles não possam ouvir.

Porque a gente sente demais.

E cria-se polêmica. Sobre camisa do rival, sobre hashtag.

É #ForçaFlamengo sim!

Porque o Flamengo não são os cartolas que nos últimos anos em especial tem desfigurado tanto a alma rubro-negra.

O Flamengo é sua história, sua nação.

Acima de tudo o Flamengo é um sonho.

É o pulsar daqueles que tem um vida chata, a loucura dos que vivem vidas ordinárias.

É a paixão no nosso tédio, é um relacionamento abusivo que destrói nosso psicológico.

O Flamengo é a busca pela realização dos sonhos projetados em um manto.

Ele é a busca dos simples pela loucura e pelo orgasmo. É o fogo que queima nossos corações por dentro. Afinal, quer loucura maior do que ser Flamengo?

O Flamengo é a vitória na hora mais surpreendente, a derrota na hora menos esperada. Ele é o tropeço, o acaso, a loucura, o surpreendente, o trivial e o especial. É cada mudança de rumo e de sentimento. Um carrossel. Do "Rumo a Tóquio" ao "Acabou o Amor"

É a intensidade do sentir no fundo do peito, da pele e do sangue que percorre nossas veias e nos faz ser quem é.

É o sonho de um menino que chegar longe e viver a vida fazendo o que gosta ao mesmo tempo em que salva a sua família.

É um risco. É um tiro no escuro. É forte. É frágil.

É a vontade de mostrar que dá pra vencer cada porrada que esse mundo dá.

O Flamengo é a vida.

O Flamengo é a morte.

Dez mortos. Dez sonhos. Dez meninos. Dez futuros. Dez Flamengos.

E naquelas bexigas brancas subindo no céu do Maracanã, a dor da perda de dez Flamengos bateu no meu peito. Nem imagino pras suas famílias.

As lágrimas caíram. Ninguém conseguia segurar.

E ali, pra mim não importava o jogo, só importava chorar com os meus. Essa nação jamais vai esquecer.

#ForçaFlamengo

No mais,
Saudações Rubro-Negras




Obs: Sobre o jogo:

O Flamengo jogou bem mal como já previsto por ser treinado por Abel Braga. Foi engolido pelo Flu de Diniz e mereceu tomar o gol no final.

Ponto.

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