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Galo e empresários: nem sempre deu certo

Renato Salvador, Rubens Menin e Ricardo Guimarães num jantar que provavelmente custou mais caro que o Fiat Uno 2006 do meu pai.

Nos últimos meses, muito tem se falado da participação de empresários no Atlético, em especial Rubens Menin, dono da MRV Engenharia, do Banco Inter e sócio da CNN Brasil, e Ricardo Guimarães, conhecido banqueiro de Minas Gerais e fundador do Banco BMG. Renato Salvador, que comanda a rede de hospitais Mater Dei, também ajuda o Clube, mas em menor escala.

Faço esse texto como forma de expor meu ponto de vista sobre essa relação, que apesar de ter ganho os holofotes só agora, já existe há vários anos. Pensei muito antes de escrever, afinal, o envolvimento dessas figuras com o Galo ficou tão intenso que gerou uma certa idolatria de boa parte da torcida por elas. 

E isso é mais ou menos compreensível. Quem não ficaria feliz de finalmente ver seu time fazer boas contratações, após anos roendo o osso com Geuvânios, Di Santos, Denilsons e Juninhos da vida? Quem não ficaria empolgado ao ver que um belo estádio está sendo construído, sem onerações ao clube? 

Pois bem, toda essa animação é aceitável. No entanto, ela não pode tirar nosso senso crítico. Não adianta alimentarmos a ilusão de que esses caras vão bancar qualquer coisa simplesmente porque são atleticanos. Afinal, eles são empresários e pensam como tal. São bilionários (ou algo muito próximo disso) e fazem investimentos, ou seja, eles vão querer algo como retorno. E esse "algo" pode não ser somente dinheiro. Pode ser influência política.

Como exemplo, vamos falar só de Ricardo Guimarães e Renato Salvador, por enquanto. 

Em março deste ano, o médico Felipe Kalil pediu demissão do Atlético. Ele resolveu picar a mula após descobrir que Ricardo Guimarães não o queria mais no clube, tendo inclusive pedido o seu desligamento para o presidente Sette Câmara. Vale lembrar que Felipe é filho de Alexandre Kalil, nosso ex-presidente e desafeto político de Ricardo. 

Isso gera uma desnecessária instabilidade no Clube, que vivia a mais absoluta paz até então. Além disso, gera a impressão de que não há comando, o que, na minha opinião, não pega nada bem. Dá a entender que quem manda é quem tem bala na agulha, não quem foi eleito seguindo o processo legal da instituição.

Voltando um pouco mais no tempo: Guimarães é parte importante daquilo que é considerada uma das piores fases da nossa história. Foi presidente no começo do milênio e apesar de ter montado um ótimo time em 2001, foi responsável pelo rebaixamento inédito do Galo, quatro anos depois, mesmo tendo no elenco nomes como Tite, Euller, Marques, Amaral, Fábio Júnior etc.

Além disso, se tornou o nosso maior credor, emprestando R$ 94 milhões ao Clube. Hoje, a dívida passa de R$ 120 milhões.

Em 2007, Ricardo conseguiu eleger Ziza Valadares, que é tido por muitos como o pior presidente da nossa história. Ziza renunciou em 2008 sob forte rejeição da torcida e com uma investigação do Ministério Público nas costas. O primeiro na linha sucessória também pediu pra sair. Quem era? Renato Salvador!

Me assusta muito que essas pessoas atualmente estejam sendo colocadas em um pedestal, sendo que elas fizeram parte de um péssimo período da história do Galo, num passado não muito distante. Agora querem voltar a dar as cartas por aqui e isso ficou claro nesta temporada, onde boa parte dos reforços só vieram porque se encaixavam num perfil estabelecido por eles. 

Sobre Rubens Menin: eu não sei qual é a sua real intenção enquanto mecenas do Galo. Contudo, seu filho, Rafael, é vice-presidente do Conselho Deliberativo. Então, eu não ousaria duvidar que ele tentasse uma eventual candidatura à presidência, uma vez que a Família Menin está em alta no Clube e com os torcedores.

Resumindo: a relação de um ricaço com um clube de futebol nem sempre dá certo. Sejam críticos e não caiam na bobagem de xingar a imprensa quando ela faz o seu papel, que é questionar. Temos o exemplo dos torcedores do rival, que tomaram os jornalistas como inimigos em vez de cobrar os seus dirigentes. Hoje, amargam a situação pré-falimentar da equipe azul. 

O fato de fulano ter muito dinheiro não garante que o time só terá benefícios. Há contrapartidas e precisamos estar atentos a elas. Afinal, ninguém deve ser maior que o Galo, independente da quantidade de dinheiro presente em sua conta bancária. Todos são passíveis de cobranças e críticas. Não passem pano para alguém a qualquer custo, só porque esse alguém pagou uma dívida ou comprou um jogador, e principalmente se esse alguém tem um passado bem tenebroso no futebol.

Me xingue nos comentários.

@victismo | @LF_Site

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