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Futebol feminino: Apoio só no discurso não funciona

Já é mais do que claro e certo de que o futebol feminino deveria ter um maior apelo público. Inúmeros clubes importantes do Brasil e do mundo aderiram a categoria que a partir de 2019 será obrigatória para times da Série A do Brasileiro, por exemplo.

Em Santa Catarina não é diferente, a categoria feminina vem crescendo timidamente, contudo somente longe dos olhos das pessoas. Mas por que isso acontece? Por que ninguém traz informações sobre? Falaremos aqui hoje de um caso em específico. Sou colunista do Figueirense no Linha de Fundo por cerca de três anos, já produzi inúmeras matérias sobre o profissional do Figueira durante este período, mas desde junho de 2017 nunca estive tão aficioado em relação a um tema quanto ao time feminino do Figueirense que surgiu após uma fusão com o Veneno FC e parceria com o Paula Ramos EC que você pode entender melhor clicando aqui.

Time do Figueirense no Scarpelli no dia em que foi oficializada a parceria (Foto: Luiz Henrique/Figueirense FC)
O time feminino do Figueirense hoje disputa somente a categoria Fut7, porém é o que dá mais alegria ao torcedor - pelo menos àqueles que acompanham - nos dias atuais tendo em vista a situação do masculino profissional. Para se ter uma mínima noção, segue alguns títulos que o Figueirense/PREC tem em sua galeria: 3 Campeonatos Catarinense; 1 Campeonato Brasileiro; 1 Copa do Brasil; 1 Copa Sul; 1 Liga das Américas, equivalente a uma Libertadores; e 1 Mundial de Clubes (para ver a matéria do título clique aqui). Além desses títulos, o time tem em seu elenco atual, as melhores jogadoras da categoria do mundo reconhecidas pela Federação Internacional de Fut7, como Luiza, a melhor goleira; Aninha, atual melhor jogadora do mundo; e tantas outras premiadas em suas posições.

Figueirense/PREC campeão do Mundial de Clubes em dezembro do ano passado (Foto: Divulgação)
O que queremos com esse artigo? Abrir os olhos das pessoas e dizer que o futebol feminino é forte e representa hoje muito bem o estado de Santa Catarina. Como o caso aqui é específico ao Figueirense, vou usar um fato como exemplo. Estava eu em minha casa na semana anterior a esta, e na televisão assistindo ao noticiário esportivo diário da afilhada da maior emissora do país aqui no estado. Sabia que o time feminino do Figueira participava da Liga Nacional de Fut7 realizada em São Paulo, e assisti atentamente na esperança de ver ao menos um teaser sobre o assunto, mas nada.

Eu pergunto: do que adianta fazer o discurso de que o futebol feminino tem que ter isso ou aquilo, se o apoio e divulgação que necessitam nunca têm? Para participar da Liga Nacional de Fut7, o Figueirense/PREC contou quase que com uma obra divina para conseguir viagem e hospedagem em São Paulo. E apesar das dificuldades, a equipe acabou caindo dignamente apenas nas semifinais. Não foi posta uma nota sequer em nenhum veículo de comunicação, repito, absolutamente nada. "Ah, mas também, elas nem ganharam...", vai pensar algum leitor em qualquer lugar. Mas aí que está o erro. O futebol e nenhum outro esporte é feito somente de vitórias. As meninas do Figueirense/PREC e de nenhum outro time feminino merecem visibilidade apenas em glórias, como foi visto quando as alvinegras conquistaram o Mundial de Clubes da categoria. Isso é apenas surfar na onda do sucesso alheio. As meninas precisam de mais espaço consolidado na mídia, em tudo, e não que sejam lembradas uma vez a cada ano. Tenho orgulho de dizer que por meio do Linha de Fundo, fomos um dos primeiros sites esportivos a falar do time feminino alvinegro, temos várias matérias publicadas sobre, e sempre estaremos acompanhando e dando a força que pudermos para o futebol feminino em geral.

O apoio que o futebol feminino tem que ser concreto e não ficar apenas nas palavras (Foto: Divulgação)
Um outro ponto importante que o pessoal que acompanha não se atentou é que a má fase do Figueirense afeta diretamente ao time feminino. O masculino profissional do Figueira amarga hoje a 11ª colocação de uma Série B, faltando apenas 7 rodadas para o fim da competição. Além disso, os ares alvinegros fora das quatro linhas estão totalmente poluídos. O clube deve hoje 3 meses da CLT de 2018 e mais 1 mês de 2017; férias e direitos de imagem; e enfrenta processos trabalhistas de ex-funcionários. O time dentro de campo não se encontra de jeito algum, e faltando sete rodadas, a chance de uma ascenção à elite do futebol brasileiro é quase nula. A fase dramática alvinegra afeta diretamente ao Figueirense/PREC pelo fato que com a determinação de que em 2019 todo clube da Série A do Brasileirão terá que ter um time feminino profissional, e com a confirmação da permanência na Série B, as jogadoras provavelmente não irão migrar para o futebol de campo, não terão contratos de atletas profissionais, e isso tudo não será por falta de vontade delas, e sim do clube que não consegue manter direito nem o time principal.

O futebol feminino precisa de apoio real, divulgação, espaço. É o esporte mais amado do Brasil, e só porque tem uma categoria feminina o espaço é menor ou inexistente? O futebol feminino sempre terá espaço garantido aqui no Linha de Fundo. E eu como colunista do Figueira aqui no site, sou o torcedor número 1 dessas meninas do Figueirense/PREC que tanto batalham ganhando hoje apenas aquilo que jamais poderá ser trocado por dinheiro algum: o prazer de fazer aquilo que mais amam.


Patrick Floriani | @figueiradepre

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